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Ovodoação: entenda como funciona a doação e adoção de óvulos

A ovodoação é uma alternativa da medicina reprodutiva para ajudar pessoas com problemas de infertilidade a realizarem o sonho de ter um filho. Também conhecida como doação de óvulos, possibilita que mulheres com dificuldades de engravidar com seus próprios gametas, casais homoafetivos masculinos e pais solteiros formem suas famílias.

Nesse sentido, o tratamento com Ovodoação já é bastante usado em tratamentos de Fertilização in Vitro (FIV), e tem ajudado milhares de pessoas na busca por uma gravidez.

É importante ressaltar que em cada país existe uma legislação que regulamenta tanto a doação como a recepção dos óvulos. 

O que é Ovodoação?

A ovodoação ou doação de óvulos acontece quando uma mulher cede seus óvulos para que sejam utilizados por outra pessoa. Ou seja, consiste na doação do gameta feminino para que outra mulher que tenha possibilidade de gestar utilizando este gameta. 

Para que isto seja possível, a fertilização do óvulo da doadora é realizada em laboratório, usando o espermatozóide do parceiro da receptora. Desta maneira, é formado o embrião que será gestado no útero da paciente receptora.

Para quem a ovodoação é indicada?

O programa de ovodoação é especialmente indicado para mulheres com problemas de infertilidade, que não produzem óvulos próprios em quantidade ou qualidade suficiente para formar embriões viáveis. Desta forma, necessitam utilizar óvulos de outra pessoa para conseguirem engravidar.

Além disso, casais homoafetivos masculinos, ou homens solteiros também precisam recorrer à ovodoação quando decidem ter filhos. Nestes casos, além da doação de gametas femininos, será necessário também contar com a ajuda de um útero solidário, procedimento conhecido popularmente como “barriga de aluguel”, para gestar o bebê.

Muitas mulheres que necessitam da ovodoação sofrem de falência ovariana, ocasião em que o ovário não possui mais óvulos capazes de serem fertilizados. Isto pode acontecer em mulheres jovens, que apresentam falência ovariana prematura, pacientes que passaram por tratamento quimioterápico, ou em pessoas com idade avançada que já entraram na menopausa. 

Nesse sentido, a busca por ovodoação vem crescendo, especialmente em virtude do aumento significativo de mulheres que desejam postergar a maternidade. Também utilizado por mulheres portadoras de doenças genéticas que tenham alta probabilidade de transmitir para prole.

Confira, na imagem abaixo, os casos nos quais a ovodoação é recomendada para mulheres:

Casos onde a ovodoação é recomendada

Ovodoação, conheça a história e a Legislação

O programa de ovodoação surgiu partir da década de 80, quando o sonho da maternidade passou a ser possível também com a utilização de óvulos de doadoras compatíveis. 

Desta forma, os procedimentos de Reprodução Assistida, incluindo a ovodoação, foram legalizados no Brasil, de acordo com a Resolução – RDC Nº 23/2011 da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a Resolução 2.168/2017, do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada em 2017. 

Veja algumas diretrizes sobre Doação de Gametas no Brasil:

  • A doação não poderá ter caráter lucrativo ou comercial;
  • Os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa;
  • A idade limite para a doação de gametas é de 35 anos para a mulher e de 50 anos para o homem;
  • Será mantido, obrigatoriamente, sigilo sobre a identidade dos doadores de gametas e embriões, bem como dos receptores. Em situações especiais, informações sobre os doadores, por motivação médica, podem ser fornecidas exclusivamente para médicos, resguardando-se a identidade civil do(a) doador(a);
  • A escolha das doadoras de oócitos é de responsabilidade do médico assistente. Dentro do possível, deverá garantir que a doadora tenha a maior semelhança fenotípica com a receptora;
  •  É permitida a doação voluntária de gametas, bem como a doação compartilhada de oócitos em RA, em que doadora e receptora, participando como portadoras de problemas de reprodução, compartilham tanto do material biológico quanto dos custos financeiros que envolvem o procedimento de Reprodução Assistida. A doadora tem preferência sobre o material biológico que será produzido.

Quais são os tipos de Ovodoação?

A doação de óvulos é uma decisão solidária e altruísta que tem como objetivo ajudar outras pessoas a formarem suas famílias. Nesse sentido, existem dois tipos de ovodoação:

Ovodoação Voluntária

A ovodoação voluntária se dá quando a doação dos óvulos é feita por uma mulher de até 35 anos, sem problemas de fertilidade, e com único objetivo de ajudar pessoas com dificuldades para ter filhos. Desta forma, a doadora se submete a um processo de estimulação ovariana e coleta dos óvulos. 

Ovodoação Compartilhada

A ovodoação compartilhada ocorre quando uma mulher, que está em tratamento de reprodução assistida, divide seus óvulos coletados com outra paciente que também passa pelo processo de FIV. Ou seja, a doadora utiliza parte dos seus óvulos e doa outra parte para a mulher receptora.

Nesse caso, além dos gametas, elas compartilham também os custos do tratamento. Além do mais, vale ressaltar que tudo ocorre de forma anônima e por intermédio da clínica.

Ovodoação: quem pode doar?

Para ser doadora em um processo de ovodoação, ter no máximo 35 anos e uma boa reserva ovariana, avaliada através do exame de Anti- Mulleriano (HAM) e contagem de folículos antrais. Além disso, a candidata a doar óvulos deve fazer testes para marcadores de doenças infecto-contagiosas como AIDS, Hepatites, Sífilis, entre outras. Também é preciso fazer testagens para doenças genéticas como Fibrose Cística e no cariótipo de banda G. 

Sendo assim, para complementar a avaliação, quem deseja compartilhar seus gametas também precisa passar por consultas com a psicóloga e a enfermeira responsável pelo setor de ovodoação. A partir de todas essa informações será decidido se a mulher está apta a doar seus óvulos.

Confira os pré-requisitos para doação de óvulos na imagem abaixo:

Pré-requisitos para doação de óvulos

Adoção: quem pode receber?

Para que uma mulher possa ser receptora de ovodoação, é preciso que se encontre em condições clínicas que permitam a ela engravidar sem risco para sua saúde. Desta forma, é preciso passar por uma avaliação médica completa para determinar a viabilidade do tratamento.

Além disso, o fator idade pode ser um limitador. Segundo a Resolução Nº2.168/2017 do Conselho Federal de Medicina CFM), a idade máxima das candidatas à gestação de Reprodução Assistida (independente se for com óvulos próprios ou doados) é de 50 anos. 

As exceções ao limite de 50 anos para participação do procedimento serão determinadas, com fundamentos técnicos e científicos, pelo médico responsável e após esclarecimento quanto aos riscos envolvidos.

Como é feita a ovodoação?

A ovodoação é um processo mais complexo do que a doação de espermatozoides. Desta forma, a doadora precisa ser preparada para a coleta dos gametas.

Etapas da ovodoação:

  • Estimulação ovariana: essa é a primeira etapa do processo e consiste em administração medicamentosa, por cerca de 10 dias, para estimular o ovário a produzir um número maior de óvulos. Essa quantidade pode variar muito de mulher para mulher;
  • Controle da ovulação por ultrassonografia: o crescimento dos folículos após a estimulação é acompanhado por ultrassonografia, realizada em geral a cada dois dias. Quando os folículos atingem um certo tamanho, avaliando individualmente, é administrado na doadora o hormônio hCG, cuja função é provocar o amadurecimento dos óvulos contidos dentro dos folículos;
  • Punção folicular: cerca de 35 horas após a administração do hCG, é feita a aspiração do conteúdo existente dentro de cada folículo do líquido contido neles, no qual ficam os óvulos. Esse procedimento é feito com o auxílio de uma agulha e de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;
  • Congelamento dos óvulos: após a coleta, os óvulos podem ser mantidos por tempo indeterminado em criopreservação.

No caso de ovodoação compartilhada, quando já existe uma receptora selecionada, no momento em que são coletados os óvulos da doadora, são coletados também os espermatozoides do marido da receptora. Assim, os embriologistas podem começar o processo de Fertilização in Vitro, unindo os dois gametas em laboratório para formar embriões. 

Após alguns dias em cultivo, os embriões podem ser transferidos para o útero da futura mãe. O mesmo pode ser feito utilizando espermatozóides doados.

A paciente receptora passa pelo preparo do endométrio, através de administração medicamentosa, realizando controle através de exames ultrassonográfico transvaginal. Após a avaliação da resposta endometrial, a partir de ultrassons ou técnicas complementares, como o teste ERA (teste de receptividade endometrial), o médico poderá realizar a transferência ao útero.

Existem bancos de óvulos no Brasil?

Os programas de ovodoação do Brasil não contam ainda com bancos de óvulos congelados para doação, mas algumas clínicas de reprodução assistida mantêm os óvulos excedentes de outros tratamentos. Porém, é possível recorrer a bancos internacionais que realizam uma criteriosa investigação das candidatas para doação e oferecem uma ampla possibilidade de seleção.

Diferente do que acontece com as brasileiras, mulheres de outros países são remuneradas para realizar esta doação e, por isso, há tantos óvulos disponíveis. No caso de bancos europeus, é possível realizar teste de compatibilidade genético (matching genético) através da comparação da informação genética da doadora com o casal receptor para diminuir o risco de transmissão de doenças cromossômicas. 

Quais os riscos da doação de óvulos?

Os riscos da doação de óvulos são os mesmos da fertilização in vitro. Ou seja, como o embrião é fecundado em laboratório e depois transferido ao útero, existe uma pequena chance de que ele se desenvolva fora da cavidade uterina, a chamada gravidez ectópica.

Além disso, como normalmente se transfere mais de um embrião, existe risco de gravidez gemelar, que varia de 25 a 30% em mulheres abaixo de 35 anos. 

Quais são as taxas de sucesso da ovodoação?

Na ovodoação, o importante é a idade do óvulo (doadora) e não do útero (receptora), o que aumenta as chances de gravidez. Desta forma, como existem critérios na escolha das doadoras, que incluem mulheres com menos de 35 anos, as chances de gestação com óvulos doados são de 50 a 60%.

Cuidados durante o tratamento

As mulheres que se preparam para uma ovodoação, seja como doadora ou receptora, devem manter a saúde em ordem. Para isso, é indicado seguir bons hábitos de vida com uma alimentação equilibrada, sem fumar ou ingerir bebidas alcóolicas. Além disso é importante dormir bem e realizar atividades físicas para garantir o equilíbrio físico e mental, e assim, preservar a saúde e a fertilidade.

Uma vez realizado o tratamento de Fertilização in Vitro (FIV) por meio da doação de óvulos, e confirmada a gravidez através de exame de sangue e ultrassonográfico, os cuidados serão os mesmos de uma gestação obtida através de relação sexual. Neste momento, a paciente é encaminhada para o médico obstetra para dar início ao pré-natal. 

Qual a relação entre ovodoação e epigenética?

Uma preocupação freqüente das pacientes que engravidam através da ovodoação é quanto a gerar um filho com características genéticas completamente diferentes de si. Porém, hoje em dia já há evidências científicas que mostram a influência da epigenética, o “além de genética” no desenvolvimento do embrião. Ou seja, o útero onde esse embrião vai se desenvolver ao longo de toda a gestação pode transmitir a expressão de genes da mulher que o carrega.

Nesse sentido, um estudo publicado na revista científica Development demonstrou que a gestante (a receptora dos óvulos) consegue modificar a genética do óvulo implantado, mesmo quando o óvulo veio de outra mulher. 

Desta forma, a influência do ambiente intrauterino sobre o desenvolvimento genético do embrião pode explicar algumas semelhanças físicas entre mães e filhos de tratamentos de reprodução humana com óvulos doados. Além disso, o intercâmbio entre gestante e embrião também pode ser responsável pela incidência de patologias passadas da gestante para o bebê, como obesidade e tabagismo.

A ovodoação é um procedimento cada vez mais procurado pelas pessoas. Para entender o porquê desta alta na procura, baixe o nosso e-book gratuitamente!

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