Quem tem trompas enoveladas pode engravidar? Descubra opções de tratamento

Você já ouviu falar sobre trompas enoveladas? Sabe o que é? Pois trompas enoveladas são quando as tubas uterinas, local onde ocorre a fecundação do óvulo com o espermatozoide, estão tortas. Nesse sentido, existe um estreitamento dos canais, muitas vezes impossibilitando o encontro dos gametas, e assim dificultando a gravidez.

A partir de agora vamos entender tudo sobre trompas enoveladas: suas possíveis causas, riscos, se existe tratamento e como a Reprodução Assistida pode ajudar nestas situações.

Antes de tudo: o que são trompas uterinas e quais suas funções?

As trompas uterinas, também chamadas de Trompas de Falópio ou tubas uterinas, são dois canais finos responsáveis pelo transporte do óvulo, desde o ovário até o útero. É neste importante órgão do aparelho reprodutor feminino que ocorre o encontro do óvulo com o espermatozoide.  

Nesse sentido, é possível dizer que é dentro das trompas que acontece a fecundação natural. A partir daí, o embrião recém formado é impulsionado através dos cílios das trompas até a cavidade uterina, local onde o bebê será gestado.

Desta forma, no processo reprodutivo, as trompas uterinas desempenham quatro funções importantes para a fecundação:

  1. Capturam o óvulo liberado pelo ovário durante a ovulação;
  2. Transportam os espermatozoides até o óvulo;
  3. Contribuem para o encontro e a fusão do óvulo com o espermatozoide (fertilização);
  4. Transportam o embrião formado até o útero, onde ele se fixará.

O que são trompas enoveladas?

Como já vimos, as trompas  uterinas são estruturas alongadas que permitem a comunicação dos ovários com o útero. Além disso, é o ponto de encontro do espermatozoide com o óvulo.

No entanto, em algumas situações as tubas possuem o diâmetro de seus canais reduzidos, favorecendo a ocorrência de pontos de estreitamentos. Isto ocorre, principalmente, por aderências que tornam as tubas com aspecto de novelo de lã. Por esta razão é chamada de tubas ou trompas enoveladas. 

Portanto, quando uma mulher possui as trompas enoveladas, significa que suas trompas uterinas estão tortas, o que acaba dificultando que os espermatozoides encontrem o óvulo.

Quais são as causas de trompas enoveladas?

As causas de trompas enoveladas estão ligadas a processos inflamatórios e infecciosos, como salpingite e endometriose, que podem causar aderências que dão um aspecto de novelo de lã. Isso ocorre porque alguns tipos de inflamações e infecções danificam a camada muscular e ciliar, fazendo com que as tubas entortem, dificultando assim a gravidez.

Geralmente, o diagnóstico é feito por histerossalpingografia, durante investigação de infertilidade. Nesse sentido, o exame consiste em tirar radiografias da região pélvica da mulher a fim de detectar qualquer tipo de anomalia que possa estar presente nas trompas.

Quais são os riscos das trompas enoveladas?

Como já vimos, as trompas enoveladas podem dificultar a gravidez, pois o estreitamento dos canais diminui a possibilidade do espermatozoide encontrar o óvulo, não ocorrendo a fecundação. Além disso, as trompas enoveladas podem aumentar o risco de uma gravidez ectópica, gerando sérios problemas para a mulher.

Quem tem trompas enoveladas pode engravidar?

Sim, é possível engravidar com as trompas enoveladas. Isto porque mesmo que haja aderências dificultando a passagem dos gametas, ainda existe a possibilidade do canal não estar totalmente obstruído.

Nesse sentido, a recomendação dos médicos é que a mulher tente engravidar de forma natural por pelo menos 6 meses. Paralelamente, neste período ela faz o acompanhamento de sua fertilidade e de seu parceiro através de exames.

No entanto, se o casal não conseguir engravidar neste espaço de tempo, a indicação é que recorra ao procedimento de laparoscopia para tentar ampliar a passagem dos canais ou, então, realizar uma Fertilização in Vitro (FIV). 

Trompas enoveladas tem cura?

Não existe nenhuma forma de “desentortar” as trompas, mas existem alguns tipos de tratamentos que podem ser feitos para que a mulher possa engravidar quando há algum tipo de dificuldade.

No entanto, vale lembrar que as tubas são muito finas, sensíveis e delicadas, portanto, não permitem muita manipulação cirúrgica. Nesse sentido, a chance de reverter o problema é muito baixa, principalmente quando há obstrução total. Por esta razão, em muitos casos é indicado recorrer à Fertilização in Vitro para realizar o sonho da maternidade. 

Qual o tratamento de trompas enoveladas?

O tratamento é individualizado e vai depender muito das causas do problema. Além disso, também precisam ser avaliados fatores como a idade da mulher, o tempo de infertilidade, a reserva ovariana, qualidade do esperma, entre outros.

Nesse sentido, quando se tem certeza de que as dificuldades de engravidar existem por causa das trompas enoveladas, há algumas formas de realizar esse tratamento. São elas:

Laparoscopia

A laparoscopia é uma cirurgia feita para avaliar as causas do problema, e procurar, ao mesmo tempo, corrigir ao máximo as trompas enoveladas. Desta forma, no procedimento é possível tentar alargar um pouco mais o caminho do espermatozoide.  

Contudo, o que se sabe é que a trompa é um órgão muito sensível e delicado, por isso não aceita muita manipulação cirúrgica. Caso a laparoscopia não apresente resultados, a mulher poderá engravidar por Fertilização in Vitro (FIV). 

Fertilização In Vitro

Também conhecida como FIV, a Fertilização In Vitro nada mais é do que a fertilização do espermatozoide no óvulo feita fora do corpo. Nesse sentido, os gametas são coletados e, posteriormente, fecundados em laboratório. Desta forma, depois de alguns dias em desenvolvimento, já em estágio de blastocisto, o embrião é transferido direto para a cavidade uterina para ser implantado.

Assim, se a mulher não possui nenhum outro problema de fertilidade, a gravidez a partir daí ocorrerá normalmente.

Gravidez com trompas enoveladas e Reprodução Assistida

Como já vimos anteriormente, quando a laparoscopia não consegue melhorar o caminho do espermatozoide nas trompas enoveladas, a indicação é recorrer à reprodução assistida. 

Nesse sentido, a técnica de Fertilização in Vitro é a indicada para tentar uma gravidez. Abaixo, vamos explicar cada etapa deste tratamento.

Estimulação ovariana

Após decidir pela fertilização in vitro, dá-se início à primeira etapa do tratamento, que é a estimulação ovariana. Nesse sentido, este processo tem como principal objetivo aumentar o número de óvulos maduros. A técnica é realizada através da injeção de medicamentos que estimulam os ovários a amadurecerem o máximo de óvulos, para obter um número maior de embriões.

Deste modo, a estimulação ovariana aumenta significativamente as chances de gravidez e ainda permite a coleta de óvulos extras num único ciclo menstrual. Esta etapa tem uma duração de cerca de duas semanas, podendo ser estendida, caso necessário.

Punção folicular

Quando os folículos alcançam o tamanho adequado e uma quantidade de óvulos aceitável, é administrada uma injeção de hCG para induzir o amadurecimento do óvulo. A punção folicular pode, então, ser agendada para 36 horas após a aplicação de hCG. 

Para realizar o procedimento, é necessário que a paciente esteja anestesiada, de forma a evitar qualquer desconforto.

Fecundação de óvulos

Após a punção folicular e a coleta dos espermatozoides, começa o processo de fecundação dos óvulos em laboratório. Geralmente, este processo é realizado através da técnica de fertilização in vitro tradicional.

A técnica consiste na colocação de espermatozoides ao redor de um óvulo, numa placa de cultivo. Outra alternativa é através do uso da técnica de Injeção Intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), técnica que consiste na introdução de um único espermatozoide dentro do óvulo.

Cultivo embrionário

Quando há fecundação dos óvulos, eles são observados diariamente no laboratório e classificados de acordo com a sua morfologia e capacidade de divisão. Nem todos os embriões vão se desenvolver normalmente e podem ser considerados inviáveis. 

No entanto, os embriões saudáveis e em fase de blastocisto são separados para a etapa de transferência embrionária. Existe um limite para o número de embriões que podem ser transferidos, de forma a evitar gestações múltiplas. Assim, os embriões excedentes que se desenvolveram adequadamente podem ser congelados, através de técnicas de criopreservação, para ser utilizado em futuras tentativas. 

Transferência embrionária

Nesta etapa do tratamento, são selecionados os melhores embriões e introduzidos dentro do útero materno. O procedimento é relativamente simples, não requer qualquer tipo de sedação ou anestesia e pode ser realizado no atendimento ambulatorial.

Teste de gravidez

Realizado cerca de10 dias após a transferência embrionária, é realizado um teste de gravidez. Caso o resultado seja positivo, será necessário realizar um ultrassom transvaginal após duas semanas, para avaliar o saco gestacional, embrião e seus batimentos cardíacos. 


Para aprofundar seus conhecimentos sobre FIV baixe gratuitamente o nosso e-book Fertilização In Vitro: como o método garantiu o aumento das taxas de sucesso na Reprodução Assistida

banner ebook fiv