Transferência de embriões: entenda como funciona e cuidados após procedimento

Você já ouviu falar em transferência de embriões? Essa é uma importante etapa do tratamento de Fertilização In Vitro (FIV) que ajuda milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho. 

Mas afinal, o que é a transferência de embriões? Como ela é realizada? Quais os cuidados necessários para ajudar a gravidez acontecer? O texto abaixo vai esclarecer essas e outras dúvidas sobre o tema que faz parte da vida de muitos casais.

O que é transferência de embriões?

A transferência de embriões é a última etapa da técnica de Fertilização In Vitro (fiv), e consiste no processo através do qual o embrião é transferido para o útero que irá gerá-lo. Nesse sentido, o objetivo é colocar o embrião no interior da cavidade uterina (endométrio) onde será implantado para dar continuidade a gravidez.

No entanto, para chegar até a transferência de embriões, é importante que as fases anteriores do tratamento aconteçam com sucesso. 

Veja as etapas da FIV que antecedem a transferência do embrião:

Estimulação ovariana

Essa é a primeira etapa do processo. Dessa forma, a estimulação ovariana consiste em administração medicamentosa de hormônios, por cerca de 10 dias, para estimular o ovário da mulher a amadurecer um número maior de óvulos no ciclo. 

Controle da ovulação

Durante a estimulação ovariana, acompanha-se o crescimento dos folículos por ultrassonografia. Quando os folículos atingem um certo tamanho, administra-se uma medicação afim de provocar o amadurecimento final dos óvulos dentro dos folículos.

Coleta dos óvulos (Punção Folicular)

Cerca de 36 horas após a administração da medicação acontece a coleta dos óvulos. Ou seja, ocorre a aspiração do conteúdo existente dentro de cada folículo, onde ficam os óvulos. Esse procedimento é feito com o auxílio de uma agulha via vaginal, guiado por ecografia transvaginal sob anestesia.

Coleta de espermatozoides

A coleta do sêmen ocorre, sempre que possível, por meio de masturbação ou procedimento cirúrgico, através da punção do epidídimo, ou ainda pela retirada de material do testículo, quando necessário. Além disso, preparam-se os espermatozoides em laboratório para melhorar e aumentar seu potencial de fecundação. 

Em casos de produção independente, casais homoafetivos femininos ou homens com infertilidade (azoospermia), utilizam-se espermatozoides doados de banco de sêmen.

Fecundação

Uma vez coletados os gametas feminino e masculino, chega a hora de realizar a fecundação, quando se forma o embrião. Nesse sentido, existem dois métodos de fertilização do óvulo: 

  • FIV Clássica: nesta técnica, coloca-se os óvulos e uma quantidade pré-determinada de espermatozoides em uma placa. Assim, mantém-se em incubadora com as condições ideais à fecundação. O objetivo é deixar os espermatozoides fecundarem o óvulo de maneira similar à fertilização natural, com menos interferência do embriologista.
  • ICSI: na fertilização com ICSI, os espermatozoides são selecionados e injetados, um a um, dentro de cada um dos óvulos, para que ocorra a fecundação.  Nestes casos, a fertilização não ocorre espontaneamente, e há total interferência do embriologista.

Transferência do embrião ao útero

A transferência do embrião ao útero é a parte final da Fertilização In Vitro (FIV), e pode ocorrer na sequência do ciclo da FIV (a fresco ou descongelado), ou em um ciclo para transferência do embrião previamente congelado. O preparo para transferência de embrião descongelado pode ser natural ou medicado. 

Criopreservação

Após o processo de fecundação, os embriões que chegarem ao estágio de blastocisto (5º a 7º dia de desenvolvimento) que não foram usados naquele ciclo de FIV, são criopreservados em nitrogênio líquido, -196°C, pelo método de vitrificação. Dessa forma, o congelamento preserva todas as características do embrião por tempo indeterminado, podendo ter uso anos mais tarde.

Como acontece a escolha de embriões para transferência?

Para a transferência do embrião, uma das principais preocupações é ter à disposição embriões com ótimo desenvolvimento, o que aumenta muito as chances de gravidez

Nesse sentido, é importante saber que a evolução do embrião passa por diversas fases, e cada uma recebe o nome de acordo com características do seu crescimento. 

Desta forma, geralmente após o 5º ou 6º dia, o embrião chega ao estágio de blastocisto. É nesta etapa que, em uma gravidez natural, ele está pronto para se encaminhar da tuba à cavidade uterina, onde se fixará no tecido endometrial para começar a gestação.

Assim, a transferência do embrião em um tratamento de Reprodução Assistida procura recriar, sempre que possível, a rotina que acontece dentro do corpo da mulher. Desta forma, o embrião em estágio blastocisto é geralmente o escolhido para ser transferido.

Veja abaixo as características durante essas fases iniciais de desenvolvimento:

  • D1: O primeiro dia ocorre quando os gametas (óvulo e espermatozoide) se fundem para formar uma única estrutura, chamada de zigoto. A partir de então, iniciam-se as clivagens, ou seja, as divisões celulares que darão início a uma nova vida.
  • D2: Segundo dia após a fertilização: Nesta fase o embrião possui de 2 a 4 células; 
  • D3: Terceiro dia a fertilização: Nesta fase embrião deve possuir de 6 a 10 células;
  • D4: Quarto dia após a fertilização: O embrião deve estar em estágio de mórula, com cerca de 32 a 64 células compactadas;
  • D5: Quinto dia após a fertilização: O embrião chega ao estágio de blastocisto. Neste momento, ele já conta com 150 células e está em estágio ideal para se fixar ao útero. Todavia, alguns embriões podem apresentar um crescimento mais lento e chegar ao estágio de blastocisto no dia 6 (D6), ou ainda no sétimo dia de desenvolvimento (D7), também possuindo chances de gravidez.

Quantos embriões podem ser transferidos?

O número de embriões transferidos ao útero depende de vários fatores, como a receptividades do endométrio, e especialmente, a idade da mulher que vai gestar o bebê. Isto acontece pois quanto mais embriões são transferidos, maiores as chances de gestação múltipla, o que pode gerar riscos tanto para os bebês quanto para a mãe. Nesse sentido, o Conselho Federal de Medicina (CFM) define as normas que orientam as atividades de  Reprodução Assistida.

Veja o que diz o CFM em relação à idade em relação ao número de embriões a serem transferidos:

Transferência de embriões frescos ou congelados: qual o melhor?

A transferência de embriões pode ser feita de duas formas: a fresco ou utilizando embriões que estavam congelados. Nesse sentido, o procedimento da transferência propriamente dita é o mesmo, o que difere é o tempo entre a coleta dos gametas, a fecundação e a transferência uterina.

A fresco

A transferência a fresco é aquela em que os gametas são recolhidos, a fecundação é realizada e, num período de três a cinco dias, são implantados no corpo da gestante. Ou seja, nestes casos o procedimento é realizado sequencialmente às etapas anteriores da FIV.

Congelado

No congelamento, o tempo entre a coleta dos gametas e a transferência uterina é maior, e muitas vezes demora anos. Desta forma, podem ser congelados tanto os gametas separadamente (óvulos e espermatozoides) quanto os embriões já amadurecidos.

Nesse sentido, com a evolução das técnicas de criopreservação, não há perda de qualidade dos embriões ou mesmo risco para o futuro bebê que será gerado. Após o processo do congelamento, atualmente realizado através da vitrificação, é como se o tempo tivesse parado para o desenvolvimento embrionário.

Como é feita a transferência de embriões?

Como já vimos, a transferência de embriões acontece após a fecundação dos gametas em laboratório. Além disso, se acompanha o desenvolvimento embrionário até chegar a fase de blastocisto, ideal para ser transferido à cavidade uterina. O procedimento é simples e normalmente ocorre em ambiente ambulatorial. 

Desta forma, a transferência do embrião inicia com a introdução de um fino cateter de plástico flexível pelo orifício externo do colo uterino (o mesmo da menstruação). Chamado de cateter guia, é por dentro dele que vai passar um segundo cateter, de calibre menor, trazendo os embriões. Nesse sentido, o objetivo é garantir que a trajetória seja segura até o fundo uterino. 

Desta maneira, o cateter que contém um ou mais embriões suspensos em um meio fluido específico, vem acoplado a uma pequena seringa. Assim, esse líquido é suavemente empurrado para dentro do útero, levando junto os embriões. A partir daí, seu desenvolvimento continua na cavidade uterina, e se aderir à parede do útero (endométrio), ocorre a nidação

O que acontece com o embrião após a transferência?

Após a transferência do embrião, é esperado que aconteça a sua implantação no útero dando início à gravidez. Conhecido como nidação, este é o momento em que o embrião se fixa no tecido que reveste a camada interna da cavidade uterina.

 E para que isso possa acontecer, o endométrio é previamente preparado através dos hormônios femininos para abrigar o embrião, que chega em seus primeiros estágios de desenvolvimento. 

A partir daí, o embrião tem a possibilidade de se desenvolver até que a placenta se forme. 

Quanto tempo depois da transferência de embriões ocorre a implantação?

Como vimos, a transferência do embrião ocorre, sempre que possível, quando ele se encontra em fase de blastocisto, momento no qual está pronto para se fixar ao endométrio. Assim, até este momento, o embrião ainda conserva a zona pelúcida, camada herdada do óvulo que mantém unidas as novas células embrionárias que surgem das divisões celulares, impedindo sua dispersão no útero. 

Nesse sentido, somente após o rompimento da zona pelúcida, chamado de hatching, é que as células embrionárias passam a ficar aderidas diretamente ao endométrio. Desta forma, este é o acontecimento que marca a implantação embrionária de fato, e ocorre, em média, três dias após a chegada do embrião na cavidade uterina. É por esta razão que se diz que a gestação tem início a partir da implantação do embrião.

Como se preparar para a transferência de embriões?

Como já vimos, a transferência de embriões é um procedimento simples e ambulatorial e assim não é necessário jejum nem anestesia. Nesse sentido, o principal preparativo para quem vai passar por uma transferência embrionária é manter a calma. 

Além disso, é necessário que a mulher esteja com a barriga cheia no momento da transferência embrionária, pois auxilia na visualização da cavidade uterina, pela ultrassom transvaginal e retifica o útero, sendo fundamental para que seja visualizada a entrada do cateter de transferência e o depósito do embrião no local adequado do útero.

Sintomas após transferência de embriões

Os sintomas após a transferência de embriões são individuais, e variam de mulher para mulher. Porém, é frequente que ocorra sangramento com causas diferentes. Nesse sentido, pode ser ocasionado pelo próprio procedimento, pois a passagem do cateter eventualmente rompe algum vaso. Além disso, a ação hormonal das medicações usadas altera a vascularização do local e pode fazer com que o sangramento seja mais evidente. 

Outro fator comum de sangramento após alguns dias da transferência é a própria implantação do embrião. Isto acontece pois a invasão do endométrio pelo embrião exige, muitas vezes, o rompimento de alguns pequenos vasos, o que explica o sangramento. 

Da mesma forma, outros sintomas como cólicas e eventual alteração na temperatura podem acontecer, mostrando que o corpo está se adaptando a uma nova fase.

Cuidados após transferência de embriões

Uma das dúvidas frequentes das mulheres que passaram pela transferência de embriões é sobre os cuidados que devem ter após o procedimento. 

Nesse sentido, as evidências científicas mostram que repouso não influencia no resultado do tratamento. Sendo assim, é possível seguir tranquilamente com a rotina normal, trabalhar, estudar e cuidar dos compromissos normalmente, mas claro sem exageros. 

Porém, alguns médicos preferem que as pacientes façam repouso por dois dias. Assim, o ideal é conversar com o especialista e seguir suas orientações. 

Outra recomendação médica após a transferência embrionária é evitar relações sexuais até que a gravidez seja confirmada. Isto é indicado pois a contração uterina durante e após as relações teoricamente podem diminuir a chance de implantação.

Além disso, considerando que a partir da transferência do embrião se inicia a gravidez, é recomendado seguir os mesmo cuidados de todas as mulheres grávidas.

Veja os cuidados indicados após transferência embrionária:

  • Não ingerir bebidas alcoólicas;
  • Evitar café;
  • Não fumar cigarro;
  • Não utilizar medicamentos sem prescrição médica;
  • Manter alimentação saudável e nutritiva;
  • Evitar alimentos crus.

Quanto tempo para o resultado da transferência de embriões? 

Após a transferência do embrião, a expectativa pelo resultado positivo de gravidez é o momento de maior ansiedade do tratamento. Nesse sentido, o recomendado é esperar, em média, 14 dias para realizar o exame de sangue Beta-HCG, para comprovar a gestação.


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