Teratozoospermia: saiba o que é e sua relação com a fertilidade masculina

Você sabia que a teratozoospermia é uma das principais causas de infertilidade masculina? Nesse sentido, ela consiste na alteração do formato dos espermatozoides e seu diagnóstico acontece pelo exame de espermograma.

No texto a seguir, vamos explicar tudo sobre a teratozoospermia: quais são as causas, se existe tratamento, e como a Reprodução Assistida pode ajudar nestas situações.

O que é teratozoospermia?

A teratozoospermia é a situação em que há uma grande porcentagem de espermatozoides em formato anormal, com defeitos de morfologia. Quando se analisa o exame de espermograma, verificam-se diversos fatores, como o volume do líquido, a quantidade de espermatozoides, a sua capacidade de movimentação, entre outros.

Um dos mais importantes parâmetros é a morfologia, que avalia quantos espermatozoides com formato perfeito são produzidos em uma ejaculação. Dessa forma, se o percentual de gametas normais for muito pequeno e o número de espermatozoides com deformações for alto, temos o diagnóstico de teratozoospermia.

Nesse sentido, é importante dizer que os espermatozoides anormais não dão origem a crianças com malformações. Entretanto, eles não são fecundantes, sendo esta uma das principais causas da infertilidade masculina.

Leia também: Dicas para evitar a infertilidade masculina 

De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, estima-se que a infertilidade conjugal de uma maneira geral atinja aproximadamente 80 milhões de pessoas ao redor do mundo. Os dados revelam que 40% dos casos tem como causa por fatores masculinos, já os outros 40% são por fatores femininos. Enquanto isso, 20% dos problemas são por causas combinadas (fatores masculinos e femininos).

Casos de intertilidade conjugal: 20% fatores combinados, 40% fator masculino, 40% fator feminino

Como é o diagnóstico de teratozoospermia?

O espermograma ou análise do sêmen é o exame mais importante para diagnosticar a teratozoospermia. Nesse sentido, o teste avalia a capacidade reprodutiva dos homens, tanto em relação à quantidade e motilidade, como na qualidade dos seus espermatozoides.

Desta forma, o homem tem o diagnóstico de teratozoospermia quando seu sêmen apresenta grande número de espermatozoides defeituosos. Ou seja, com alterações estruturais na cauda, cabeça ou peça intermediária.

No entanto, nem sempre um único exame garante a conclusão do resultado, sendo necessária, em alguns casos, a repetição do espermograma em intervalos de pelo menos 15 dias, com abstinência sexual de 3 a 5 dias. Sendo assim, é importante que o médico oriente o casal na escolha de um laboratório de excelência, que siga todas as recomendações internacionais para a análise do sêmen.

Dessa maneira, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é preciso que, pelo menos, 30% dos espermatozoides presentes no ejaculado do homem tenham uma forma normal para que exista a fecundação. Além disso, a OMS também aceita o critério de Kruger. Ele é um método mais detalhado de avaliação dos espermatozoides, que permite classificá-los como normal ou anormal de acordo com sua forma. 

Nesse sentido, por este último critério, o índice de espermatozoides com morfologia perfeita deve ser maior do que 4% para que haja maiores chances de gravidez. Por sua vez, se os exames estiverem abaixo destes percentuais, o paciente recebe o diagnóstico de teratozoospermia.

Veja na imagem abaixo um espermatozoide oval normal, que consiste em uma cauda longa e cabeça oval não muito grande:

dimensões de um espermatozoide normal: 5.0 x 3.g um

Confira abaixo, os parâmetros normais do exame de espermograma. Os dados são do manual da Organização Mundial da Saúde, com atualização em 2010.

Parâmetros para espermograma:

Volume: 1,5ml
Motilidade (valores): superior a 32% é motilidade progressiva. Superior a 40% é motilidade progressiva + não progressiva.
Concentração: 15,0x106 espermatozoides/ml.
Vitalidade: superior a 58% de espermatozoides vivos.
Morfologia: superior a 30% de ovais normais. Superior a 4% de ovais normais/morfologia de Kruger.
pH: superior a 7,2.

O que causa a teratozoospermia?

Como já vimos anteriormente, a teratozoospermia refere-se às alterações no formato do espermatozoide que podem afetar a fertilidade masculina, pois apenas os gametas perfeitos são capazes de fertilizar o óvulo. Nesse sentido, os principais responsáveis por essas alterações são:

  • Infecções;
  • Drogas;
  • Obesidade; 
  • Tabagismo; 
  • Alcoolismo; 
  • Estresse;
  • Poluição; 
  • Má alimentação; 
  • Alguns medicamentos; 
  • Origem congênita;
  • Varicocele. 

Dentre todas as possíveis causas de infertilidade masculina, a varicocele é, sem dúvida, a principal. Dessa forma, a doença se manifesta em aproximadamente 15% da população geral, incluindo adolescentes e adultos. Além disso, estima-se que ela acomete até 41% dos homens com infertilidade primária (nunca tiveram filhos) e 81% dos homens com infertilidade secundária (com filho prévio).

Entenda o que é varicocele

Varicocele é a dilatação anormal das veias dos testículos, que prejudica o fluxo sanguíneo local e a troca de nutrientes. Isso leva a um acúmulo de substâncias tóxicas e aumento de temperatura na região testicular. Esses fatores podem provocar alterações na quantidade (oligozoospermia) e na qualidade (teratozoospermia) dos espermatozoides.

E, embora seja uma das principais causas da infertilidade masculina, a varicocele não provoca distúrbios da potência sexual. Porém, alguns homens podem sentir dor, sensação de peso e atrofia (diminuição) nos testículos, além de aumento visível das veias testiculares.

O diagnóstico da varicocele é feito através do exame físico quando o médico pede para que o paciente simule movimentos com força física ou, então, tussa. Desta forma, ocorre o aumento da pressão abdominal, fazendo com que as veias dos testículos inchem e o médico possa apalpá-las. 

Para auxiliar e confirmar a análise, realiza-se o exame e ecografia com doppler de bolsa escrotal, onde se verifica o calibre das veias dilatadas, assim como presença de refluxo venoso. 

Teratozoospermia tem cura?

Sim! Para muitos casos a teratozoospermia tem cura. A causa mais conhecida e tratável de teratozoospermia é a varicocele. Nesse sentido, o tratamento pode ser feito de forma cirúrgica para que haja a recuperação da qualidade do espermatozoide.

Da mesma forma, em outras situações, podemos melhorar a morfologia dos espermatozoides passando a ter hábitos de vida mais saudáveis.

Qual o tratamento para teratozoospermia?

O primeiro passo para tratar a teratozoospermia deve ser a identificação da origem do problema. Nesse sentido, diversas causas podem ter tratamento, como infecções e doenças passíveis de cura. 

Da mesma forma, o problema pode ser resolvido simplesmente com a retirada de medicações inadequadas ou melhorando os hábitos de vida. Assim, individualizar o tratamento deve ser sempre prioridade para obter os melhores resultados.

Tratamento para Varicocele

Se a origem da teratozoospermia for a varicocele, a cirurgia é a principal alternativa para o tratamento. Isso pois homens com a doença podem apresentar alterações na morfologia e na diminuição da motilidade do sêmen. Dessa forma, a correção cirúrgica deve melhorar estes parâmetros.

A cirurgia de varicocele acontece em hospital qualificado, sob anestesia raquidiana, peridural ou geral. A técnica com maiores taxas de sucesso é a microscópica subinguinal, que consiste na utilização de um microscópio cirúrgico para a ligadura das menores veias dilatadas após uma pequena incisão (corte) inguinal no lado acometido pela varicocele. A cirurgia tem caráter ambulatorial (sem necessidade de internação), com retorno às atividades normais em poucos dias.

Sendo assim, a correção cirúrgica da varicocele melhora a espermatogênese em 50% a 80% dos pacientes. Entretanto, nos casos em que não há melhora na fertilidade após a intervenção cirúrgica, sugere-se o tratamento de Reprodução Assistida (RA), de acordo com o tipo de complexidade de cada um.

Melhorando os hábitos de vida

Melhorar os hábitos de vida é fundamental para tentar reverter a teratozoospermia. Ou seja, ter uma alimentação saudável, fazer atividade física, afastar-se de cigarro, bebida alcoólica e drogas. Além disso, tomar cuidado com medicamentos que podem interferir na qualidade dos espermatozoides é obrigatório. 

Se todos estes itens estiverem sendo cumpridos, já será um grande passo para maximizar a fertilidade. Confira abaixo algumas dicas de alimentação e uso de suplementos vitamínicos para melhorar a espermatogênese:

Alimentação

A alta ingestão de gordura trans está associada à queda na fertilidade, enquanto a ingestão de ômega 3 está relacionada à melhora. Dessa forma, deve-se evitar a gordura trans que está presente em carne vermelha, leite e derivados. Por sua vez se recomenda o ômega 3, que está presente em peixes, frutos do mar, amêndoas, nozes e óleos vegetais (como de canola, algodão, linhaça e oliva).

Vitaminas e suplementos nutricionais

Uma das causas da infertilidade é o “estresse oxidativo”, causado por vários fatores, entre eles os radicais livres, a poluição e o próprio estresse diário das pessoas. Diante disso, recomenda-se algumas vitaminas e suplementos nutricionais que podem ajudar a bloquear a ação deletéria destes fatores. Confira abaixo quais são:

  • Ácido fólico;
  • vitaminas C e E;
  • Coenzima Q10;
  • Picnogenol;
  • Selênio;
  • Zinco.

Quem tem teratozoospermia pode engravidar?

Sim! Quem tem teratozoospermia pode engravidar, desde que investigue a causa e trate o problema. A maneira ideal de decidir o melhor caminho é a partir do entendimento amplo da condição de cada casal, bem como das causas que podem estar levando o indivíduo ao diagnóstico de teratozoospermia.

Se todos os tratamentos possíveis acontecerem e ainda assim o homem continuar com problema de infertilidade, o especialista pode recorrer às técnicas de Reprodução Assistida para viabilizar uma gravidez. 

Como a Reprodução Assistida ajuda nos casos de teratozoospermia?

Graças ao avanço das técnicas de Reprodução Assistida, homens com teratozoospermia, que não tiveram sucesso em outros tratamentos, têm conseguido engravidar. Levando em consideração a morfologia estrita de Kruger, obtida pelo espermograma, é comum que o especialista oriente o casal a diferentes tipos de tratamentos. 

Confira as possíveis indicações, dependendo da complexidade da doença em cada paciente:

Inseminação Intrauterina (IIU)

Indica-se a inseminação intrauterina quando o índice de espermatozoides normais for maior do que 5% e, mesmo assim, há dificuldades em engravidar. A técnica é de baixa complexidade e consiste em selecionar os melhores gametas masculinos para colocá-los dentro do útero, facilitando, assim, o encontro do óvulo com o espermatozoide.

Fertilização in Vitro (FIV)

A Fertilização in Vitro, também conhecida como FIV, é indicada para os casos de alta complexidade, quando há menos de 4% de espermatozoides normais na ejaculação. Selecionam-se os melhores óvulos e espermatozoides que são fecundados em laboratório. Posteriormente, é escolhido o embrião em fase de blastocisto para ser implantado no útero. 

Dessa forma, a técnica consiste na fecundação em laboratório que, no entanto, não ocorre de forma espontânea. Nesse sentido, realiza-se a partir da micromanipulação dos gametas, na qual se injeta um único espermatozoide dentro do óvulo para sua fecundação. O procedimento ocorre com o auxílio de um microscópio e de uma agulha finíssima e os espermatozoides são colhidos de uma amostra do sêmen ou por biópsia testicular. 

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