banner-reposicao-hormonal

Reposição hormonal: discussões sobre riscos e benefícios

Antes de começarmos a falar sobre reposição hormonal, é preciso entender o que é menopausa, quando acontece e o que ela causa nas mulheres. Nesse sentido, a menopausa é o termo usado para designar a última menstruação da mulher. Ou seja, é o momento em que o corpo para de produzir os hormônios estrogênio e progesterona, marcando o final da fase reprodutiva feminina, que começa na puberdade e perdura aproximadamente 35 anos. 

Geralmente, a menopausa acontece entre 45 e 55 anos e vem acompanhada por um conjunto de sintomas desagradáveis, que podem interferir no dia a dia e afetar a saúde de muitas mulheres.

Desta forma, para enfrentar este período turbulento, existe um tratamento à base de reposição hormonal que ajuda a minimizar os sintomas. Porém, ele também pode trazer alguns riscos para a saúde da mulher.

Quais são os sintomas da menopausa?

O período da menopausa é caracterizado por diversas transformações físicas e emocionais, que decorrem do desequilíbrio e da diminuição na produção de hormônios femininos pelos ovários (estrogênio e progesterona). Por esta razão, as mulheres podem sentir vários sintomas desagradáveis como:

Além disso, o estrogênio é responsável pela fixação do cálcio nos ossos. Nesse sentido, após a menopausa e durante o climatério, grande parte das mulheres começa a perder este mineral, podendo levar a osteoporose. Desta maneira, é muito comum mulheres pós-menopausa sofrerem mais fraturas pelo corpo.

Risco cardiovascular na menopausa

Os sintomas já citados, por mais incômodos que sejam, não representam risco de vida para as mulheres. Entretanto, sabe-se também que a diminuição da produção hormonal na menopausa aumenta as chances do aparecimento de doenças cardiovasculares. Isto ocorre pois as artérias coronárias femininas ficam mais rígidas com a ausência dos hormônios. Assim, muitas mulheres podem ter mais chances de infartos neste período.

Além disso, a falta do estrogênio pode aumentar o LDL (colesterol ruim) e diminuir o HDL (bom colesterol). Neste sentido, este desequilíbrio das gorduras no sangue também pode elevar os riscos de ataques cardíacos ou doenças cardiovasculares.

Ainda, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardíacas e vasculares são responsáveis por 1/3 de todas as mortes de mulheres no mundo. Nesse sentido, o número se aproxima de 8,5 milhões de óbitos por ano e cerca de 23 mil mortes por dia.

Reposição hormonal: debate entre riscos e benefícios

Uma das alternativas para driblar o desconforto da menopausa é a reposição hormonal. Porém, ainda não há consenso médico a respeito desse tratamento que apresenta benefícios, mas que também pode trazer alguns riscos para a saúde.

Dessa forma, sabe-se que a reposição hormonal reduz os sintomas desagradáveis da menopausa, diminui a mortalidade cardiovascular quando realizada até os 60 anos e evita a osteoporose. Entretanto, o tratamento pode aumentar consideravelmente a possibilidade de doenças como o câncer de mama e de endométrio, além de ser fator de risco para trombose e AVC (acidente vascular cerebral).

Por esta razão, para saber se a reposição hormonal é uma opção de tratamento adequado para a mulher, é imprescindível que ela converse com o médico ginecologia e cardiologista. Neste sentido, em um contexto adequado, a reposição pode melhorar a qualidade de vida da paciente, principalmente se ela está muito sintomática. No entanto, para seguir o tratamento é necessária uma avaliação individualizada, pois ele é contraindicado, por exemplo, quando já há histórico de câncer de mama na família.

Confira abaixo os benefícios e os riscos da reposição hormonal: 

Benefícios do tratamento da menopausa 

  • Melhoras em problemas do sono: Mulheres na menopausa e no climatério têm problemas de sono por conta dos suores noturnos. Por outro lado, elas também podem ter dificuldades para dormir, mesmo que não apresentem os calorões. Nesse sentido, o indicado é o tratamento com estrógeno;
  • Prevenção da osteoporose: A reposição hormonal previne a perda óssea e reduz as chances de fraturas por osteoporose na pós-menopausa, principalmente para mulheres com menos de 60 anos;
  • Prevenção de doenças cardíacas: As doenças cardiovasculares também podem ser prevenidas com o tratamento, já que a reposição hormonal age beneficamente nos níveis do colesterol (HDLe LDL), diminuindo a possibilidade de doença coronariana;
  • Melhora na vida sexual: A terapia hormonal ajuda a melhorar a satisfação sexual da mulher ao aliviar os sintomas da menopausa, como ressecamento vaginal e dor durante o sexo. Esses sintomas atingem cerca de 45% das mulheres neste período;
  • Prevenção da demência: Alguns especialistas acreditam que o tratamento com estrogênio pode ser útil para prevenir a demência, caso realizado nos primeiros anos após a menopausa;
  • Diminuição da depressão: Muitas mulheres têm ansiedade ou depressão durante a transição para a menopausa. Alguns estudos mostram que o tratamento com estrogênio ajuda a melhorar o humor e a diminuir a depressão. No entanto, algumas mulheres precisam ser tratadas tanto com estrogênio quanto com um antidepressivo para se sentir melhor.

Riscos do tratamento da menopausa

  • Câncer de mama: Existe um pequeno aumento do risco de câncer de mama em mulheres que fizeram o tratamento combinado com estrogênio-progestágeno, e risco menor com uso de estrogênio isolado. Cabe ressaltar, ainda, que a chance de aparecer a doença cresce quando o tempo de tratamento é maior (principalmente acima de 5-10 anos). O risco desaparece após cinco anos do término da terapia;
  • Câncer de endométrio: Existe um risco aumentado de câncer de endométrio em pacientes com útero que fazem terapia isolada com estrogênio;
  • Ataque cardíaco e AVC: Existem evidências de benefícios cardiovasculares quando a reposição hormonal é iniciada na transição menopáusica ou nos primeiros anos após a menopausa (chamado de “janela de oportunidade”). No entanto, há evidências de riscos cardiovasculares quando a terapia hormonal é iniciada tardiamente. 

Contudo, outros fatores como alimentação, presença ou não de obesidade e realização de atividade física também interferem nos efeitos cardiovasculares. Além disso, o uso dos hormônios sintéticos podem elevar o risco de acidente vascular cerebral (AVC), com tromboembolismo pulmonar (TEP)

Saiba como o tratamento de reposição hormonal é feito:

Nem todas as mulheres precisam se preocupar em repor os hormônios durante a menopausa. Nesse sentido, ele é indicado para aquelas mulheres que têm sintomas moderados e intensos e que podem se beneficiar com a reposição hormonal.

Dessa forma, existem muitas formas de fazer o TRH (tratamento de reposição hormonal). Alguns métodos combinam o estrogênio e progesterona, enquanto outros usam somente estrogênio. Além disso, a reposição hormonal pode ser feita de diferentes maneiras, incluindo comprimidos, géis e adesivos.

Assim, os hormônios usados, a dosagem, a forma de administração e o tempo de uso serão determinados pelo médico após avaliação criteriosa e levando em conta a necessidade de cada paciente.

Vale lembrar, também, que as mulheres que retiraram o útero não precisam da reposição da progesterona. Já as pacientes que não fizeram esse procedimento devem receber, além do estrogênio, a progesterona ou um progestágeno sintético. 

Confira as diferentes formas de reposição hormonal:

Qual o período para fazer a reposição hormonal?

Quem opta pela reposição hormonal, deve começar o tratamento antes dos 60 anos de idade ou até 10 anos após o fim dos ciclos menstruais. Já o tempo de suspensão da medicação é individualizado e depende de cada paciente. Em geral, os médicos recomendam doses baixas dos hormônios no menor tempo possível.

Reposição hormonal x mulheres brasileiras: entenda o comportamento

A reposição hormonal ainda é uma das principais indicações para atenuar os sintomas da menopausa em mulheres de meia-idade. Entretanto, um estudo recente desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), de Campinas, revela que o número de mulheres que utilizam a terapia hormonal no país vem caindo com os anos. 

A pesquisa gerou um artigo científico e foi publicado na revista Menopause, da Sociedade Norte-Americana de Menopausa. Segundo o estudo, somente 19,5% das mulheres utilizam atualmente a terapia hormonal (TH) no Brasil.

Por outro lado, uma investigação realizada pelo mesmo grupo em 2003, mostrou que naquele ano 37% das mulheres fizeram reposição hormonal no país. Essa tendência de queda, que também se confirma mundialmente, tem sido atribuída ao efeito de uma divulgação da Women’s Health Initiative (WHI), de 2002. A publicação é que trouxe à tona os riscos da reposição hormonal associados ao câncer de mama e endométrio, além de maiores chances de trombose e Avc em mulheres na menopausa.

Reposição hormonal fitoterápica – como funciona?

Com tanta polêmica sobre o uso dos hormônios sintéticos na reposição hormonal, alguns médicos têm indicado a terapia hormonal à base de fitoterápicos. Porém, ainda não há consenso sobre os reais efeitos positivos das plantas medicinais. 

Contudo, a Anvisa reconhece, com base no uso tradicional e não em pesquisas, algumas plantas que possuem flavonóides e que podem atuar no organismo como repositores hormonais para o climatério.Tal reconhecimento tem como base o uso tradicional e não em pesquisas.

Nesse sentido, um dos mais famosos é a isoflavona, um fitoestrógeno que se comporta como hormônio e é encontrado na soja. Este suplemento alimentar deve ser tomado diariamente durante os primeiros meses da menopausa, até que o corpo da mulher se habitue a inatividade dos ovários. 

Entretanto, assim como na reposição hormonal sintética, é muito importante que as mulheres, antes de adotar o tratamento fitoterápico, consultem um especialista. Afinal, plantas também têm limitações e efeitos adversos. 

Menopausa sem reposição hormonal

Para as mulheres que estão na menopausa e não fazem a reposição hormonal, existem outras formas de tentar amenizar os sintomas e cuidar da saúde. Confira:

Menopausa e o sonho de ser mãe

Como já vimos anteriormente, a menopausa é o momento em que o corpo feminino para de produzir os hormônios estrogênio e progesterona. Desta forma não existe mais ovulação, marcando o final da fase reprodutiva da mulher. Entretanto, existem mulheres que ainda têm o sonho de serem mães, mesmo entrando na menopausa.

É possível isto ocorrer? A resposta é sim! Graças à medicina reprodutiva, as mulheres que entraram na menopausa precocemente (por voltas dos 32 anos) ou até mesmo as que estão acima dos 45 anos conseguem engravidar, desde que estejam com uma boa saúde. Nestes casos, os especialistas em reprodução assistida optam por uma fertilização in vitro (FIV) combinada com a Ovodoação, sistema de doação de óvulos que é permitido no Brasil.Se você está nesta situação e tem interesse em saber mais sobre o assunto, baixe o nosso e-book ovodoação.

banner doacao de ovulos