Quem fez laqueadura pode engravidar novamente?

A reversão da laqueadura tem uma taxa de sucesso de cerca de 50%. As taxas de sucesso da reversão da laqueadura aumentam significativamente quando realizada em clínicas que possuam a tecnologia necessária e profissionais capacitados para realizar o procedimento. 

Por ser uma cirurgia complexa, o recomendado é que a decisão para fazer a laqueadura seja tomada com muita cautela.

Apesar disso, a medicina reprodutiva, atualmente, possibilita a realização de exames e tratamentos que podem ajudar as mulheres que se submeteram à laqueadura a engravidar novamente.

O que é a laqueadura?

A laqueadura consiste na realização de uma cirurgia que bloqueia, liga ou corta as trompas, ou tubas uterinas, que são os órgãos que conectam aos ovários.

O procedimento impossibilita a fecundação, impedindo que os espermatozoides e óvulos se encontrem. De acordo com os dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a eficácia da laqueadura é de cerca de 99%. 

Além disso, no caso de mulheres casadas, é necessário também o consentimento do marido. Aliás, o mesmo vale para a vasectomia, que é a cirurgia de esterilização masculina. Portanto, homens casados também precisam do consentimento da esposa para realizarem o procedimento.

Assim, antes de decidir passar por uma cirurgia de esterilização, é necessário debater o assunto com um médico, para ter a certeza sobre tudo do procedimento, já que a sua reversão pode ser complexa.

Tipos de laqueadura

Existem três métodos distintos de laqueadura, embora todos tenham o objetivo comum de bloquear a passagem entre útero e ovário, evitando, assim, a fecundação:

Minilaparotomia

Esse método consiste na realização de pequenas incisões no abdômen. Após isso, as trompas são trazidas para cima, e o cirurgião remove uma pequena parte ou toda a extensão de cada uma delas.

Outra alternativa, é a utilização de clipes para bloquear as tubas uterinas, mas essa técnica não é usada tão frequentemente.

Laparoscopia

A laparoscopia consiste no uso de um laparoscópico, um catéter com uma câmera acoplada, para que o médico possa visualizar os órgãos abdominais e, então, bloquear as trompas.

A introdução do aparelho, dessa forma, é feita através do umbigo ou por meio de um ou dois cortes em determinados pontos do abdômen. Quando o médico consegue visualizar as trompas, elas são removidas com técnicas eletrocirúrgicas, ou por meio de clipes.

Histeroscopia

A histeroscopia é realizada sem qualquer incisão na pele e pode ser feita em consultório médico com anestesia local.

Nesse tipo de cirurgia, por sua vez, é colocado um pequeno implante através da vagina, até a abertura das trompas, bloqueando a passagem de espermatozoides e óvulos.

Reversão da laqueadura

A reversão da laqueadura só pode ser realizada quando a porção final da tuba uterina não foi retirada ou nos casos em que a tuba uterina não se encontre muito deformada. 

Nesse sentido, para garantir o sucesso da reversão, é importante que a fímbria, parte da tuba responsável por captar o óvulo, esteja em bom estado. 

Durante a cirurgia, por sua vez, o médico cirurgião retira a cicatriz das tubas onde foi realizada a laqueadura. Isso permite com que a junção dos dois lados das tubas tenha novamente uma boa irrigação sanguínea.

Antes de unir os dois lados das tubas, o cirurgião testa se a tuba uterina está com a passagem livre. Dessa maneira, para realizar esse teste, é introduzida uma solução de soro junto a um corante azul, de modo a alterar a cor temporariamente daquela região, para facilitar a visualização do caminho.

Quando a passagem está livre, ou pérvia, são realizados os pontos para aproximar as bordas das tubas, e o procedimento é repetido do outro lado. Após isso, é realizado novamente o teste de permeabilidade das tubas.

A tuba uterina saudável mede, em média, 3 mm de diâmetro. Por esse motivo, a reversão da laqueadura é um procedimento microcirúrgico.

As chances de engravidar depois da reversão da laqueadura dependerão, por sua vez, de alguns fatores, tais como:

  1. Idade da mulher;
  2. Reserva ovariana da mulher;
  3. Qualidade do sêmen do parceiro;
  4. Sucesso da técnica utilizada para reverter a laqueadura.

Sendo assim, mulheres que pretendam engravidar após uma cirurgia de esterilização devem consultar um especialista em reprodução humana, pois este é o profissional mais qualificado para recomendar qual é a melhor opção para cada caso.

Considerações finais

Como vimos ao longo deste post, a reversão da laqueadura é possível, embora as taxas de sucesso não sejam muito altas.

Por esse motivo, a recomendação é que a reversão da laqueadura tubária seja considerada como uma opção adequada para mulheres mais jovens, com idade inferior a 35 anos, sem que apresente qualquer outro fator de infertilidade. 

Já nos casos de mulheres com idade mais avançada, uma solução pode ser optar por tratamentos de fertilização in vitro. 

Mas, lembre-se que, seja qual for o seu caso, consulte um especialista em reprodução humana para que ele possa orientá-la sobre as melhores possibilidades existentes para a sua situação.

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