Maternidade e carreira: afinal de contas, é preciso escolher uma só?

Conciliar maternidade e carreira é um dos grandes desafios na vida da mulher moderna. Nesse sentido, é um momento repleto de dúvidas e angústias, que muitas vezes levam as mães a abandonarem a profissão com medo de não conseguirem dar atenção aos filhos. Por outro lado, outras mulheres acabam priorizando o trabalho pois não querem abrir mão de sua carreira em prol da maternidade. 

No entanto, a boa notícia é que não é preciso escolher entre uma ou outra. É importante esclarecer que há como conciliar a profissão com o sonho de ser mãe. 

Além disso, se a opção for adiar a maternidade, também existem alternativas. Com as técnicas de Reprodução Assistida, é possível deixar para ter filho mais tarde sem perder a fertilidade. Confira tudo no texto a seguir! 

Maternidade ou carreira: devo escolher somente uma?

Sabe-se que a maternidade é um desafio para as mulheres que trabalham, pois além da jornada profissional, elas são, muitas vezes, as únicas responsáveis pelas tarefas domésticas e o cuidado com os filhos.

Sendo assim, com a ideia da tripla jornada, muitas priorizam a estabilidade profissional e acabam adiando a maternidade para ter filhos após os 30 anos.

No entanto, vale lembrar que todos os sonhos podem ser concretizados, desde que haja um bom planejamento. Desta forma, existem, sim, maneiras de conciliar maternidade e carreira. Porém, se a opção for realmente ter um filho mais tarde, a mulher precisa se certificar de que ainda tem uma boa reserva ovariana para conseguir engravidar.

Antes da maternidade, quero focar na carreira. O que fazer?

Como vimos acima, se a decisão da mulher for se colocar no mercado de trabalho antes de ser mãe, é imprescindível que ela avalie a sua reserva ovariana para verificar a sua fertilidade.

Isto porque, diferentemente dos homens que são férteis por um longo período da vida, as mulheres nascem com um número limitado de óvulos, e tanto a quantidade, quanto a qualidade decaem drasticamente após os 35 anos. Nesse sentido, as mulheres precisam saber que a fertilidade feminina tem um prazo de validade. 

Sendo assim, se a ideia for deixar para ter filho depois desta idade, o congelamento de óvulos é a grande alternativa para “driblar “o relógio biológico. Desta forma, ela consegue  focar em um primeiro momento na profissão e, assim, escolher sem pressa quando quer ser mãe.

Congelamento de óvulos: tempo extra para focar na carreira

O congelamento de óvulos é um procedimento que está em alta em todo o mundo. Isso ocorre pois nos últimos anos o estilo de vida das mulheres em relação à vida profissional e suas escolhas pessoais têm mudado. 

Desta forma, a gravidez programada (quando a mulher se planeja para ter um filho) vem acontecendo cada vez mais tarde. O resultado é que muitas estão se tornando mães pela primeira vez acima dos 30 anos.

Por esta razão, vem crescendo a procura pelo congelamento de óvulos, que é uma forma de preservar a fertilidade feminina. Sendo assim, as mulheres contemporâneas conseguem ganhar um precioso tempo para conquistarem a estabilidade profissional antes de serem mães.

O que é congelamento de óvulos?

O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação, é a técnica de preservação dos óvulos em nitrogênio líquido, por meio de resfriamento rápido. Nesse sentido, o congelamento de óvulos é um tratamento para postergar a possibilidade de ter filhos.

Este procedimento foi realizado pela primeira vez em 1986 e, desde então, o método progrediu significativamente. Com a introdução da técnica de vitrificação, em 2006, a taxa de qualidade e de sobrevivência dos óvulos, depois do descongelamento, aumentou para 95%. 

Sendo assim, de acordo com dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), a procura por congelamento de óvulos com o intuito de adiar a maternidade triplicou nos últimos anos.

Sabe-se que as mulheres entre 20 a 30 anos estão biologicamente no auge da fertilidade. Sendo assim, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRA), a idade ideal para o congelamento de óvulos é até 35 anos.

Lembrando que, segundo o Conselho Federal de Medicina, a idade máxima recomendada para se submeter a um tratamento de Reprodução Assistida é de até 50 anos. Este limite foi escolhido por causa do risco obstétrico, já que após os 50, aumentam os casos de hipertensão na gravidez, diabetes e partos prematuros.

Maternidade e carreira: afinal, é possível conciliar?

Apesar de ser mais difícil, é possível sim conciliar maternidade e carreira. É claro que isso exigirá um esforço, mas é necessário compreender que é uma fase da vida, pois um dia os filhos crescem e tudo se resolve.

O grande entrave nesse processo é saber lidar com as emoções, principalmente com a culpa. Hoje em dia, os psicólogos falam muito sobre “tempo de qualidade”. Isso significa que não é mais a quantidade de horas que passamos ao lado dos filhos que faz a diferença, mas o quanto você está conectado com eles no momento em que estão juntos.

Desta forma, o tempo com os filhos deve ser de conexão profunda para estabelecer vínculos e cumplicidade. Isso acontece quando você entra no mundo infantil, aceitando as brincadeiras que fazem sentido para eles, oferecendo ajuda e demonstrando afetividade. Logicamente que isso não é fácil após um dia exaustivo de trabalho, mas com organização e foco é possível criar formas de interação.

Uma boa dica é aproveitar até mesmo os poucos minutos no trajeto até a escola para interagir, ouvir, expressar sentimentos em gestos e palavras. Além disso, é importante aproveitar ao máximo o tempo juntos nos finais de semana. Estes momentos especiais sempre reforçam os laços afetivos e, assim, a criança percebe que mesmo distante fisicamente, ela continua sendo amada e acolhida.

O que os dados dizem sobre maternidade e carreira 

Um estudo da revista Crescer, feito com 2,887 mulheres, expôs o que muitas mães já sabiam: 94% das mulheres relatam ter dificuldade para conciliar maternidade e carreira. Preconceito com mães no mercado de trabalho e falta de políticas trabalhistas pensadas para esse público são um dos tópicos mais citados pelas entrevistadas.

Além disso, 64% disseram ter tido a carreira prejudicada pela maternidade, seja porque tiveram que recusar novos projetos para cuidar dos filhos, seja porque deixaram de ser promovidas justamente por serem mães.

Várias outras pesquisas indicam que, no mercado de trabalho, o panorama das mulheres que não têm filhos é bem diferente daquele das que são mães. Um levantamento realizado em 2006, pela socióloga Louise Marie Routh junto a profissionais com título de MBA, nos EUA, mostrou que 36% tiveram a progressão de suas carreiras interrompida depois da gravidez. Já suas colegas sem filhos seguiram numa trajetória de promoção e aumento de prestígio.

Entretanto, apesar das pesquisas não serem muito otimistas, existem avanços nesse sentido e muitas mulheres conseguem reverter a situação conciliando o mercado de trabalho com a maternidade. Abaixo, vamos desmistificar alguns mitos sobre o assunto, dando dicas de como dar conta do trabalho junto com os cuidados com os filhos.

4 mitos sobre maternidade e carreira para abandonar

Existem muitas informações sobre maternidade e carreira que acabam deixando as mulheres mais confusas e angustiadas. A seguir vamos tentar esclarecer 4 mitos sobre o assunto. 

1 – Maternidade não é compatível com carreira executiva

Para muitas mulheres, a grande pressão não é mais provar a competência profissional, mas, sim, conciliar o trabalho com a família. Para quem tem esta angústia, duas ações são fundamentais: planejamento e infraestrutura. 

Nesse sentido, é possível sim conciliar a maternidade com a carreira recorrendo à ajuda de uma creche, babá, familiares, além de ter um apoio com as tarefas de casa. 

2 – Com a gravidez, acabam-se as promoções

Existe um grande medo de que a ascensão profissional acabe no momento em que a mulher conta para o chefe sobre a gravidez. No entanto, se a profissional fizer um bom planejamento, for competente, qualificada e com uma trajetória de entrega e resultados esta situação é mais difícil de acontecer.

3 – Mães perdem produtividade e aumentam chances de serem demitidas

Muitas mulheres, um pouco antes de voltarem da licença maternidade, já ficam estressadas e inseguras se vão continuar sendo produtivas. Repensar objetivos de carreira, manter a transparência na relação com o chefe e, com ele, promover uma conversa franca são os “antídotos” para lidar melhor com este receio.

Ela deve confiar que a qualificação e a posição que garantiu antes de engravidar não vão se perder. Com segurança é preciso mostrar que a maternidade é um ciclo e as coisas vão se organizar.

4 – A rotina de cuidados do bebê não vai melhorar nunca

É comum que a chegada do primeiro bebê seja impactante ao ponto de a mulher achar que aqueles primeiros meses de cuidado constante serão para sempre.

No entanto, isto não é verdade. O primeiro ano é o mais crítico, mas a rotina vai melhorando com o tempo e as boas e tranquilas noites de sono voltarão.

Como conciliar maternidade e carreira na prática?

Como já mencionamos, é possível conciliar maternidade e carreira na prática.

Nesse sentido, felizmente, algumas empresas estão preocupadas em reter seus talentos e desenvolvem políticas e programas que atendem as necessidades do público feminino nestas situações. Desta forma, criam espaços como a abertura de uma creche no trabalho, área para amamentação, entre outros.

Por outro lado, desde 2016, com a aprovação do Marco Legal da Primeira Infância, empresas brasileiras cadastradas no Programa Empresa Cidadã concedem 20 dias de licença aos pais e seis meses às mães. Quem não estiver nesta lista é obrigado a dar 120 dias de afastamento para as mulheres e cinco dias para os homens.

Além disso, é sempre importante lembrar que a divisão dos afazeres domésticos com a pessoa parceira, se houver, também pode aliviar a pressão da mãe. Vale ainda ressaltar que cuidar dos filhos é uma responsabilidade de ambos. 

Uma outra dica para conseguir conciliar carreira e maternidade é aceitar ajuda. Sendo assim, além da pessoa parceira, se houver, é preciso muitas vezes pedir o apoio da família, de uma babá, de professores, parentes e até de amigos. Seguindo essa mesma linha de pensamento, também é bom lembrar que as mulheres de negócios – principalmente as empresárias e líderes – precisam saber delegar tarefas profissionais quando possível.

Da mesma maneira, conseguir harmonizar a vida profissional e materna diz respeito à organização e ao planejamento. O primeiro passo para isso é reconhecer suas prioridades, que inclui os filhos, o trabalho e o autocuidado. Nesse sentido, é muito importante reservar um tempo distinto para cada coisa. Portanto, o ideal é montar uma agenda e manter a disciplina.

E por fim, uma grande alternativa, é aproveitar-se do desenvolvimento tecnológico, que proporciona cada vez mais mobilidade e conexão. Sendo assim, o trabalho em home office, uma consequência da pandemia, pode ajudar muito às mães que estão saindo da licença à maternidade.

Saiba mais: Licença parental

A chegada de um filho na família é um momento muito especial. Nesse sentido, os primeiros dias da vida de uma criança precisam ser assistidos de perto, pois é quando eles mais precisam de seus pais. 

Assim como as mães gestantes têm a licença maternidade para que possam se adaptar à nova vida com um filho, os pais também têm o direito de receber o benefício. Desta forma, a licença paternidade tem um papel importante para ajudar a reduzir os altos índices de mulheres com dupla ou tripla jornada em suas vidas. Com isso, os homens também têm a oportunidade de participar da vida de seus recém-nascidos e estar ao lado de sua companheira que enfrentou a realidade de um parto. 

Sendo assim, o colaborador de uma empresa continua recebendo sua remuneração mensal sem cortes. No entanto, diferente da licença maternidade, que oferece cerca de 120 dias para a mãe, a licença paternidade permite 5 dias de afastamento, que são contados a partir do nascimento do bebê.

O benefício ainda pode ser estendido a 20 dias e isso varia dependendo dos acordos coletivos e individuais estabelecidos na empresa. No caso, se a empresa estiver cadastrada no programa Empresa Cidadã a licença paternidade pode ser prolongada. 

Ainda vale lembrar que existem propostas em análise na Câmara dos Deputados, para que a licença-maternidade possa ser dividida entre pais e mães. Sendo assim, a ideia é a criação da licença-parental em substituição à licença-maternidade. Desta forma, os quatro meses de afastamento após o nascimento do filho passariam a ser compartilhados entre o pai e mãe, em períodos alternados. 

 O que é Empresa Cidadã?

Criado pelo governo, em lei sancionada em 2008, o Programa Empresa Cidadã apresenta diversas vantagens para os filiados. Com o intuito de incentivar os funcionários e melhorar a qualidade de vida, o programa também oferece vantagens para o empregador, pois ajuda a diminuir o turnover nas empresas e melhora a cultura organizacional. 

Em uma lei adicional criada em 2016, mais benefícios foram incluídos, como o que garante a extensão de 15 dias na licença paternidade. Dessa forma, o colaborador, além dos 5 dias de direito, poderá ter, ao todo, 20 dias de licença paternidade totalmente remunerada. 

Licença para os casais homossexuais

Já vimos que no Brasil mães e pais possuem o direito de tirar licença maternidade e paternidade. Mas como este benefício se aplica aos casais compostos por dois homens ou duas mulheres? 

A realidade é que a legislação brasileira não considerou, de maneira adequada, a diversidade das possibilidades de técnicas de reprodução e de novos formatos familiares. Nesse sentido, o tema ainda é bastante discutido.

Desta forma, quando um casal homoafetivo feminino engravida, a gestante faz jus à licença-maternidade, enquanto a mulher que não gerou o filho tem direito ao afastamento por um período equivalente à licença-paternidade. Ou seja, que pode variar de 5 a 20 dias.

No entanto, como esse processo funciona quando o casal homossexual é composto por dois homens, já que nenhum deles pode gerar a criança? Hoje em dia, muitas empresas concedem a licença-paternidade para gays sem grandes problemas. No entanto, enquanto não ocorre uma mudança na legislação, a fim de trazer mais segurança jurídica aos casais, ainda há incertezas quanto a esta questão.

Por esta razão, quando a licença-paternidade para os casais formados por homens for negada, é indicado que o casal procure por um advogado especializado em minorias, a fim de adotar medidas judiciais contra a discriminação. 

Como evoluir na carreira ao mesmo tempo em que se exerce a maternidade?

Mesmo com muitos deveres na maternidade, ainda é possível se desenvolver na carreira. Como já comentamos, ter um bom planejamento e uma boa rede de apoio, ajuda a mãe a evoluir na carreira.

 Desta forma, com um pouco de mais tempo para si, a profissional pode alavancar novos vôos. Uma das alternativas é a educação à distância. Com a modalidade EAD é possível ter acesso a inúmeros cursos de alta qualidade tanto de graduação, quanto de pós-graduação. Nesse sentido, o estudo remoto vem se mostrando um grande aliado na vida das mães, já que é possível estudar de onde e quando quiser. 

Como sabemos, o currículo de quem tem uma pós-graduação é bem visto no mercado de trabalho, e esta é uma excelente oportunidade para a mulher graduada que se tornou mãe recentemente evoluir na carreira.


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