ICSI: saiba o que é e qual a sua importância para a FIV

A Injeção Intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) é uma técnica de reprodução humana assistida que revolucionou os tratamentos de Fertilização In Vitro (FIV). Mas afinal, quando ela é indicada? Como acontece? Quais as taxas de sucesso? Para tirar estas e outras dúvidas sobre a ICSI, leia o texto abaixo. 

O que é ICSI?

A ICSI, ou Injeção Intracitoplasmática de espermatozoides, é uma técnica de alta complexidade da reprodução humana assistida, que ajuda casais com problemas de infertilidade a realizarem o sonho de ter um filho. Nesse sentido, esse procedimento, que surgiu nos anos 90, consiste em introduzir um único espermatozoide, previamente selecionado, diretamente dentro do óvulo para que a fertilização possa ocorrer. 

Dessa forma, a ICSI é um tratamento de Fertilização In Vitro, já que a fecundação do gameta feminino pelo masculino acontece em laboratório, fora do corpo da mulher. 

O que é FIV?

A Fertilização In Vitro (FIV) é uma das técnicas de reprodução assistida que tem ajudado milhares de pessoas a superarem problemas de infertilidade. Esse tratamento tornou- se conhecido em 1989, com o nascimento de Louise Brown, na Inglaterra, o primeiro bebê de proveta do mundo.

Desde então, a Fertilização In Vitro vem evoluindo muito, ajudando milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho. Nesse sentido, a técnica promove o encontro do óvulo e do espermatozoide em laboratório, facilitando que ocorra a fecundação. O embrião que provém a partir da união dos gametas tem transferência posterior para o útero para ser gestado. 

Esta técnica de reprodução humana apresenta boas taxas de gravidez bem-sucedida, e acontece em várias etapas. Saiba mais abaixo:

Estimulação ovariana 

Com uso de medicamentos hormonais, a indução ovariana estimula que um maior número de folículos, que contêm os óvulos, cresça e amadureça. Dessa forma, é possível obter mais óvulos para serem fertilizados. Durante o período de estimulação, realizam-se ultrassonografias para acompanhar o crescimento dos folículos, até que estejam prontos para coleta.

Punção folicular 

Quando os folículos alcançam o tamanho ideal, ocorre a coleta de óvulos através da punção folicular. Todos os folículos produzidos pelos ovários são aspirados por uma agulha bem fina, guiada pelo ultrassom transvaginal. O procedimento é simples e rápido e acontece sob sedação.

Coleta de Sêmen

No caso dos homens, o sêmen é coletado através de masturbação ou por punção testicular, quando não há espermatozoides no ejaculado. O sêmen é preparado em laboratório e os melhores espermatozoides são separados para, posteriormente, serem utilizados na ICSI. Para a fertilização, selecionam-se os espermatozoides mais saudáveis e viáveis para a fecundação.

Fecundação

No tratamento de Fertilização In Vitro, a fecundação ocorre em laboratório. Dessa forma, o encontro do óvulo com o espermatozoide para formar o embrião ocorre fora do corpo da mulher, com a ajuda do embriologista. 

A FIV clássica é feita através do contato direto entre os espermatozoides e os óvulos, simulando a fertilização de forma natural. Todavia, a fertilização dos óvulos pode ser feita através da ICSI. Nessa técnica, insere-se apenas um espermatozoide diretamente dentro de cada óvulo. 

Cultivo e transferência embrionária 

Os embriões formados no laboratório são cultivados em uma incubadora por alguns dias, até serem transferidos para o útero materno. Isto acontece geralmente no quinto dia do seu desenvolvimento, D5, quando o embrião atinge o estágio de blastocisto. Em casos de exceção, pode ocorrer no terceiro dia, D3.

Para quem a ICSI é indicada?

A técnica de ICSI pode ter uso em diversos casos, mas possui indicação especial quando o problema de infertilidade é por fator masculino. Dessa forma, nas situações onde há baixa quantidade de espermatozoides, problemas de motilidade (astenozoospermia) ou morfologia (teratozoospermia), por exemplo, a ICSI potencializa as chances de fecundação do óvulo. 

Além disso, a indicação da ICSI dependerá também do histórico clínico do casal e do resultado dos exames solicitados pelo especialista em reprodução humana. 

Veja alguns casos quando a ICSI pode ajudar:

Casos em que a FIV/ICSI é indicada:
Homens com baixo número de espermatozoides, problemas de motilidade e morfologia.
Homens com fragmentação do DNA espermático aumentada.
Homens que tenham feito uma vasectomia ou com azoospermia obstrutiva.
Quando há doença infecciosa ou infertilidade de causa imunológica.
Com espermatozoides congelados (criopreservados).
Nos casos de fracasso repetido após vários ciclos e inseminação intra-uterina (IIU).
Quando é necessário identificar embriões para Diagnóstico Genético Pré-Implantacional (PGD).
Infertilidade sem causa aparente.
Abortamentos de repetição.

Como funciona a ICSI?

Como vimos, a ICSI é parte importante de um tratamento de Fertilização In Vitro, que acontece em sucessivas etapas. Dessa forma, o processo inicia com a obtenção dos gametas femininos e seleção dos melhores gametas masculinos para a fecundação. Uma vez em que se forma o embrião, ele tem cultivo em laboratório nos primeiros dias de desenvolvimento e, posteriormente, transferido ao útero, onde será gestado. 

O tratamento pode levar cerca de 40 dias, considerando o início da estimulação dos óvulos até a confirmação, ou não, da gravidez. Veja, abaixo, mais detalhes de como acontece a ICSI:

Coleta de espermatozoides 

No caso dos homens, os espermatozoides podem ter coleta através da masturbação ou, em situações excepcionais, com retirada direto dos testículos, por meio de uma punção testicular. Depois disso, ocorre o processamento do sêmen e a seleção dos espermatozoides de melhor qualidade, que terão uso para a fecundação dos óvulos.

Coleta de óvulos

Como a mulher normalmente libera apenas um óvulo por mês, ela precisa passar por uma indução da ovulação para estimular o desenvolvimento de um número maior de folículos ovarianos. Dessa forma, quanto maior a quantidade de folículos, mais se coleta óvulo e, consequentemente, melhores as chances de formar embriões. 

Nesse sentido, o tratamento de indução ovariana controlada é feito através de medicamentos à base de hormônios por cerca de 10 a 12 dias. Acompanha-se o crescimento dos folículos através de exames de ecografias transvaginais e dosagens hormonais. Além disso, assim que atingem um tamanho adequado, a mulher recebe uma dose final de hormônio (hCG) que irá induzir a maturidade dos óvulos. 

O próximo passo é a coleta dos óvulos, feita por aspiração folicular, 36 horas após a administração do hormônio HCG. O procedimento é feito sob anestesia, e dura aproximadamente 30 minutos.

Fecundação

Após a coleta, os óvulos passam por uma remoção das células que o circundam, as células do cúmulos, para que a zona pelúcida fique exposta e para que seja possível classificar os óvulos de acordo com a maturidade deles. Selecionam-se apenas os óvulos maduros para a fertilização por ICSI, visto que são os únicos com potencial de fertilização e geração de embrião. Da mesma forma, técnicas de capacitação espermática preparam o sêmen. Então a ICSI utiliza os melhores espermatozoides de acordo com critérios de motilidade e morfologia.

Depois disso, acontece a ICSI, processo de união entre o óvulo e espermatozoide, para que ocorra a fecundação. Nesse sentido, injeta-se o espermatozoide escolhido dentro do óvulo com o auxílio de um equipamento chamado micromanipulador de gametas.

Após a junção dos gametas no laboratório, o especialista acompanha a evolução do embrião em laboratório até chegar ao estágio de blastocisto. Neste momento ele está pronto para a transferência ao útero. 

Qual a diferença da FIV clássica para a FIV com ICSI?

Quando falamos em Fertilização In Vitro (FIV), é importante destacar que existem dois tipos diferentes: a clássica e a ICSI. Nesse sentido, embora os procedimentos sigam os mesmos passos de tratamento, eles se diferenciam pelo método usado para a fecundação do óvulo.

Ou seja, tanto os pacientes da FIV clássica quanto os da ICSI passam pelas mesmas etapas de tratamento que incluem a preparação e coleta dos gametas, fertilização do óvulo em laboratório, cultivo do embrião e a transferência ao útero materno. Porém, a fertilização ocorre de formas diferentes.

Fecundação na FIV clássica 

Na FIV clássica, os óvulos e uma quantidade pré-determinada de espermatozoides são colocados em uma placa e mantidos em incubadora com as condições ideais à fecundação. Assim, o objetivo é deixar os espermatozoides fecundarem o óvulo de maneira similar à fertilização natural, com menos interferência do embriologista.

Fecundação na FIV com ICSI

Na FIV com ICSI, os espermatozoides são selecionados e injetados, um a um, dentro de cada um dos óvulos, para que ocorra a fecundação. Nestes casos, a fertilização não ocorre espontaneamente, e há total interferência do embriologista.

Quais são as taxas de sucesso da FIV com ICSI?

De acordo com diferentes estudos mundiais, as taxas de sucesso da fertilização com ICSI variam entre 60 e 80%. Nesse sentido, verifica-se que os índices de gravidez e nascidos vivos com embriões resultantes de FIV com ICSI são tão bons quanto aqueles obtidos com embriões obtidos por Fertilização In Vitro clássica. 

Entretanto, vale dizer que mesmo quando todos os parâmetros são favoráveis, ainda há chance de insucesso. Dessa forma, as chances de engravidar com a ICSI estão atreladas a diversos fatores, sendo que um dos principais aspectos é a idade da mulher.

Veja alguns fatores que podem interferir nos resultados da ICSI

  • Idade da mulher;
  • Qualidade dos óvulos e espermatozoides;
  • Qualidade dos embriões;
  • Técnica do embriologista;

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