HPV na gravidez: há riscos para a gestante ou para o bebê?

O HPV na gravidez pode gerar preocupações e inúmeras dúvidas entre as futuras mamães. Isto ocorre porque o Papilomavírus Humano é uma infecção sexualmente transmissível (IST) e responsável por 70% dos casos de câncer no colo do útero. Assim, considera-se a terceira principal causa de morte entre as mulheres no Brasil.

Por esta razão, neste texto, vamos esclarecer sobre os riscos da doença, tanto para a gestante quanto para o bebê. Além do mais, informar sobre as opções de tratamento e como é possível prevenir o HPV na gravidez.

O que é HPV?

O HPV é um vírus altamente contagioso, transmitido, em geral, pelo contato com a pele ou mucosa através do ato sexual. Nesse sentido, existem mais de 150 tipos diferentes de HPV, sendo que 12 são de alto risco. Dessa forma, a infecção é uma das doenças mais comuns entre adultos sexualmente ativos. Ela pode causar tanto verrugas benignas (condilomas), como lesões sérias precursoras de câncer de colo de útero, garganta ou ânus.

Sendo assim, é importante alertar que após o contágio, pelo menos 5% das mulheres desenvolvem câncer de útero em um prazo de dois a 10 anos. Contudo, vários tipos são de baixo risco e desaparecem sem tratamento. Dessa maneira, muitas pessoas, por não terem lesões, nem percebem que são portadoras deste vírus.

Por esta razão, a Organização Mundial da Saúde prevê que mais de 80% das mulheres sexualmente ativas terão infecção pelo HPV em algum momento de suas vidas. E essa porcentagem pode ser ainda maior nos homens. Nesse sentido, estima-se que, atualmente, entre 25% a 50% da população feminina e 50% da masculina esteja contaminada pelo HPV em todo o mundo. No Brasil, o dado também é alarmante: mais da metade dos jovens que mantêm relações sexuais possuem o vírus.

Qual o risco do HPV na gravidez?

As alterações hormonais e a baixa resistência imunológica das mulheres, nos primeiros meses de gestação, predispõe ao desenvolvimento do HPV, caso elas já tenham o vírus no corpo. Por esta razão, a grande preocupação das mães quando descobrem o HPV na gravidez é de estar transmitindo a doença ao seu bebê.

Porém, há comprovação científica que o HPV não ameaça a evolução da gestação e, tampouco, oferece riscos ao desenvolvimento fetal. No entanto, a doença pode ter transmissão durante o parto e, por isso, deve ter tratamento até a 34º semana gestacional.

Como tratar o HPV na gravidez?

O tratamento do HPV na gravidez deve ser feito de acordo com a orientação do obstetra, que avalia o tamanho das lesões e onde elas estão localizadas. Nesse sentido, se a lesão estiver na parte externa da genitália, pode ter retirada com a ajuda de ácidos

Caso sejam maiores e mais graves, será necessária a realização de uma cirurgia. Sendo assim, estes procedimentos estão liberados em qualquer fase da gestação. Porém, o ideal é que sejam feitos até a 34a semana, para garantir uma boa cicatrização antes do parto.

Por outro lado, existem outros métodos utilizados para o tratamento e retirada das verrugas. Entretanto, eles não são indicados quando se tem HPV na gravidez. Desta forma, as técnicas contraindicadas nesta fase são a eletrocauterização, que estimula a contração uterina e os imunomoduladores, que podem oferecer riscos à gravidez.

Vale ressaltar ainda que caso o HPV afete as células do colo uterino, o médico pode esperar para tratá-las após o parto. Assim, depois que o bebê nascer, as lesões devem ser rapidamente removidas.

Pode ocorrer transmissão de HPV durante o parto?

Se as lesões do HPV não tiverem tratamento durante a gravidez, existe um risco de transmissão do vírus para o bebê através do canal de parto. Isso pois o recém-nascido entra diretamente em contato com as células infectadas da vagina. Porém não é comum a criança se contaminar.

Por esta razão, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o parto normal não é contraindicado, e só se recomenda a cirurgia por cesariana se a mãe tiver lesões muito grandes.

O que o HPV pode causar no bebê?

Como já explicamos, a contaminação do recém-nascido pelo HPV não costuma ser uma ameaça à vida do pequeno. Isto ocorre, pois apesar do contato, o bebê na maioria das vezes consegue eliminar o vírus rapidamente do organismo. Entretanto, em alguns casos raros, o papilomavírus pode aparecer.

Nesse sentido, a manifestação mais temida é a Papilomatose Respiratória Recorrente (PRR), um tumor benigno epitelial que atinge principalmente a laringe. Nesse sentido, a maioria das crianças apresenta a primeira manifestação da doença entre 2 e 4 anos de vida, sendo o sintoma mais comum a disfonia.

Sendo assim, o crescimento progressivo das lesões pode resultar em dispneia e estridor, e em casos raríssimos, a doença é fatal devido à obstrução severa das vias aéreas ou por degeneração maligna. Como ainda não há um tratamento que erradique completamente o HPV, os médicos indicam cirurgias para a remoção das lesões e, em alguns casos mais recorrentes, ainda o uso de antivirais e a aplicação da vacina.

Além das cordas vocais da criança, as verrugas também podem surgir na região gential, ocular e mucosa da boca e do nariz. 

Quem tem o vírus do HPV pode amamentar?

Após o nascimento do bebê, é aconselhado que a mulher seja novamente examinada para verificar a existência ou não do HPV. Caso ela ainda esteja com o vírus ativo, é preciso que ela continue o tratamento.

Nesse sentido, se a mãe não tem verrugas em seus seios, não existe a menor chance de transmissão do vírus para o recém-nascido, pois o contágio ocorre por contato com a pele. Dessa forma, é importante ressaltar que o tratamento para o HPV no pós-parto não impede a amamentação, pois o papilomavírus não passa para o leite materno.

Como se prevenir do HPV?

O uso de preservativo sempre é um importante aliado na proteção contra o HPV. Porém, a vacina ainda é a melhor maneira de se proteger deste vírus, que pode causar câncer de colo de útero, de pênis, orofaringe e ânus.

Por esta razão, no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente a vacina quadrivalente contra o HPV, que se aplica em três doses, com intervalo de seis meses. Nesse sentido, as meninas devem ter imunização entre 9 a 14 anos, e os meninos com a idade entre 11 a 14. Além disso, também se recomenda a vacina para mulheres de até 26 anos. Porém, para este grupo, ela só está disponível em clínicas particulares.

Vale ainda lembrar, que a partir do início da vida sexual, todas as mulheres precisam fazer o exame de Papanicolau regularmente. Desta maneira, o exame preventivo pode detectar a presença, ainda imperceptível, do vírus no colo do útero. Para as grávidas, por sua vez, se recomenda apenas até o quarto mês de gestação, não causando mal à cavidade uterina ou ao bebê.

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