Hidrossalpinge: quem tem pode engravidar? Conheça possibilidades

A hidrossalpinge é o acúmulo de líquido nas trompas de falópio causada por uma doença inflamatória prévia, podendo afetar, assim, a fertilidade feminina.

Neste texto, vamos abordar as dúvidas mais recorrentes relacionadas ao assunto: o que é hidrossalpinge? Quais são as causas da doença? Quais os sintomas? E como é feito o diagnóstico e o tratamento da alteração ginecológica? Confira!

O que é hidrossalpinge?

Hidrossalpinge é o acúmulo de líquido nas trompas de falópio consequente de uma inflamação prévia. Nesse sentido, ela pode ocorrer por processos infecciosos, endometriose ou cirurgia prévia. 

Vale explicar que quando o processo inflamatório atinge as trompas, ocorre uma destruição da camada interna das tubas, produzindo uma secreção que é muito irritante para a cavidade abdominal. Como proteção do organismo, as fímbrias, que são a parte final das trompas, se fecham. Assim, o líquido se acumula e forma a hidrossalpinge. 

O que provoca hidrossalpinge?

A hidrossalpinge está frequentemente associada a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), principalmente clamídia, sífilis e gonorreia. Sendo assim, os agentes infecciosos responsáveis por essas doenças podem chegar às trompas e causar inflamação. Desta forma, há a destruição da camada interna das tubas, levando ao aumento da secreção e acúmulo de líquidos no local.

A hidrossalpinge pode estar muitas vezes relacionada com a Doença Inflamatória Pélvica (DIP), uma situação que acontece devido à falta de tratamento de infecções ginecológicas. Nesse sentido, a DIP pode ter sido causada tanto por infecções sexualmente transmissíveis ou por um desequilíbrio da flora vaginal. Neste último caso é frequentemente relacionado com a bactéria Gardnerella. 

Além disso, outras situações podem estar ligadas a hidrossalpinge como a endometriose, aderências na região pélvica, cirurgias ginecológicas ou tumores nas tubas uterinas ou em órgãos próximos.

Hidrossalpinge afeta a fertilidade? Conheça sintomas 

Sim, a hidrossalpinge pode afetar a fertilidade feminina. Isso ocorre pois há uma obstrução nas trompas de falópio. Para quem não sabe, estas estruturas são de extrema importância para que a gravidez ocorra, pois são as responsáveis pela ligação dos ovários ao útero. 

Sendo assim, as tubas permitem o encontro entre o óvulo e o espermatozoide, e é o local onde se inicia a fecundação. Da mesma forma, elas têm a função de encaminhar o embrião formado até a cavidade uterina para ser implantado no endométrio.

Portanto, a hidrossalpinge impacta no funcionamento das tubas uterinas e, consequentemente, no sucesso de uma gravidez. Além disso, o líquido acumulado das trompas pode se deslocar até o útero, prejudicando a implantação do embrião no endométrio.

Vale lembrar ainda que na maioria dos casos, a hidrossalpinge é assintomática sendo apenas identificada durante exames de rotina ou quando a mulher apresenta dificuldade para engravidar. No entanto, algumas pessoas podem apresentar alguns sinais e sintomas. Confira quais são:

  • Dor durante a relação sexual;
  • Dor abdominal;
  • Alteração na cor e consistência do corrimento vaginal, sendo mais líquido;
  • Febre, em alguns casos;
  • Dificuldade para engravidar.

Hidrossalpinge pode virar câncer?

Não! A hidrossalpinge não é uma doença grave a ponto de se tornar um câncer. 

No entanto, se o diagnóstico e o tratamento não forem feitos a tempo, a doença pode evoluir para uma inflamação crônica. Nesse sentido, ela pode afetar não somente as tubas uterinas, mas também outras estruturas da cavidade pélvica, configurando um quadro geral de DIP (doença inflamatória pélvica).

Contudo, a principal complicação da hidrossalpinge, mesmo nos casos em que há diagnóstico e tratamento adequados, é a obstrução das tubas uterinas. Nesse sentido, existe a possibilidade de provocar a infertilidade feminina permanente. Assim, a única maneira da mulher ter filhos novamente é com o auxílio da Fertilização In Vitro.

Diagnóstico hidrossalpinge

Existem vários métodos de investigação que podem auxiliar no diagnóstico da hidrossalpinge, sendo os principais deles os exames de imagem. Nesse sentido, um dos mais solicitados é o ultrassom transvaginal.

Outra investigação ainda mais específica é a histerossalpingografia (HSG), um tipo de raio-x que verifica se há alguma dilatação ou bloqueio na passagem das trompas. Este exame se diferencia pois há a infusão de contraste via transvaginal para o preenchimento do útero e das tubas. Assim, as imagens obtidas são mais precisas e costumam ser conclusivas para obstrução tubária.

Além disso, o diagnóstico da hidrossalpinge pode ser realizado também por laparoscopia. Nesse sentido, o procedimento cirúrgico verifica ainda se há presença de outras patologias que afetam a fertilidade como a endometriose ou demais aderências. Porém, por ser um procedimento invasivo, a decisão por sua indicação deve ser feita apenas após a avaliação detalhada e individualizada de cada caso.

Hidrossalpinge tratamento

O tratamento da hidrossalpinge depende diretamente das causas, do grau da doença e se ela atinge uma ou as duas tubas uterinas. Normalmente, a indicação inicial é a abordagem medicamentosa com antibióticos para o combate dos agentes infecciosos. Também são receitados anti-inflamatórios para diminuir as dores e a inflamação como um todo.

Contudo, como a hidrossalpinge pode obstruir as tubas uterinas, parte do tratamento deve concentrar-se em reverter a obstrução, liberando a passagem no interior dessas estruturas. Desta forma, em muitos casos, a paciente tem indicação de intervenção cirúrgica nas tubas.

Hidrossalpinge cirurgia

Como vimos, muitas vezes é necessária uma cirurgia para tentar desobstruir as tubas uterinas e drenar o excesso de líquido acumulado pela hidrossalpinge. Porém, nos casos mais graves pode ser indicada a remoção das tubas uterinas e de estruturas que possam ter sido comprometidas.

Nesse sentido, além de fazer parte do diagnóstico, a videolaparoscopia também é usada cirurgicamente em ambos os casos. Desta forma, um pequeno corte é realizado na região abdominal da paciente por onde são inseridas a câmera e os materiais necessários para o procedimento. Por ser uma técnica minimamente invasiva, o pós-operatório é mais rápido do que as cirurgias abertas.

Vale ressaltar que a retirada da tuba influencia positivamente no resultado de uma Fertilização In Vitro. Isto acontece pois o líquido proveniente da doença pode se espalhar para o útero, dificultando a implantação do embrião no endométrio, mesmo realizando uma FIV.

Hidrossalpinge pode desaparecer?

Como já vimos, a hidrossalpinge é resultado de um processo inflamatório nas tubas que pode dificultar a gravidez. Por vezes, o líquido pode drenar para dentro do útero. No entanto, se isso ocorrer, pode dificultar a implantação do embrião no endométrio.

Desta forma, a hidrossalpinge não desaparece sozinha. Sendo assim, depois de diagnosticada, ela deve ser tratada o mais rápido possível com antibióticos e/ou com cirurgia.

Quem tem hidrossalpinge pode engravidar?

É comum que mulheres com hidrossalpinge tenham dificuldade de engravidar devido à obstrução das trompas. Nesse sentido, os bloqueios nas tubas uterinas comprometem tanto a fecundação quanto a implantação do embrião. 

Porém, se apenas uma das trompas for afetada, embora seja mais difícil, a mulher ainda tem chance de engravidar naturalmente. No entanto, ainda corre um maior risco de ter um aborto ou uma gravidez ectópica.

Contudo, se as duas trompas estiverem comprometidas, a paciente só tem chance de engravidar se realizar uma Fertilização In Vitro (FIV).

Hidrossalpinge e Reprodução Assistida: qual a relação?

Se a mulher tem hidrossalpinge e precisa retirar cirurgicamente ambas as trompas, ela só conseguirá engravidar por meio de Reprodução Assistida. Nesse sentido, a técnica utilizada é a Fertilização In Vitro (FIV).

Confira abaixo o passo a passo deste procedimento que tem ajudado milhares de pessoas a realizarem o sonho de ter um filho.

Estimulação ovariana

Após decidir pela Fertilização In Vitro, dá-se início à primeira etapa do tratamento, que é a estimulação ovariana. Nesse sentido, este processo tem como principal objetivo aumentar o número de óvulos produzidos. 

A técnica é realizada através da injeção de medicamentos que estimulam os ovários a amadurecer o maior numero de óvulos, para obter um número maior de embriões. Durante o período de estimulação, realizam-se ultrassonografias para acompanhar o crescimento dos folículos, até que estejam prontos para coleta.

Deste modo, a estimulação ovariana aumenta significativamente as chances de gravidez e ainda permite a coleta de óvulos extras num único ciclo menstrual. Esta etapa tem uma duração de cerca de duas semanas, podendo ser estendida, caso necessário.

Punção folicular

Quando os folículos alcançam o tamanho adequado e com uma quantidade de óvulos aceitável, é administrada uma injeção de hCG para induzir o amadurecimento do óvulo. A punção folicular pode, então, ser agendada por volta de 36 horas após a aplicação de hCG. 

Para realizar o procedimento é necessário que a paciente esteja anestesiada, de forma a evitar qualquer desconforto.

Coleta de Sêmen

Simultaneamente com a punção folicular é realizada a coleta dos espermatozoides, que ocorre na clínica, por meio de masturbação. Se há algum problema grave de infertilidade masculina como a azoospermia, o procedimento pode ser realizado coletando diretamente do testículo ou do epidídimo pelo urologista.

Desta forma, o sêmen coletado deve ser preparado para que os espermatozoides mais saudáveis e com melhores capacidades reprodutivas sejam selecionados. Isso é fundamental para a realização da etapa seguinte da FIV. Já nos casos de casais de mulheres ou produção independente, o sêmen vem de banco de sêmen e deve ser selecionado antecipadamente. 

É bom lembrar que no Brasil, a doação é anônima, solidária e não pode ser remunerada. Sendo assim, a lei brasileira não permite que o laboratório revele a identidade do doador. Porém, a futura mãe consegue saber algumas características dos doadores, como altura, cor dos cabelos, dos olhos e da pele, tipo sanguíneo, profissão, origem étnica, religião e hobby.

Fecundação de óvulos

Após a punção folicular e a coleta dos espermatozoides, começa o processo de fecundação dos óvulos em laboratório. Nesse sentido, a fertilização pode ser feita pela colocação de espermatozoides ao redor de um óvulo, numa placa de cultivo ou pela técnica de Injeção intracitoplasmática (ICSI), que consiste na introdução de um único espermatozoide dentro do óvulo. 

Cultivo embrionário

Quando há fecundação dos óvulos, eles são observados diariamente no laboratório e classificados de acordo com a sua morfologia e capacidade de divisão. Nem todos os embriões vão se desenvolver normalmente e alguns podem ser considerados inviáveis. 

No entanto, os embriões saudáveis e em fase de blastocisto são separados para a etapa de transferência embrionária. Nesse sentido, existe um limite para o número de embriões que podem ser transferidos, de forma a evitar gestações múltiplas

Assim, os embriões excedentes que se desenvolveram adequadamente podem ser congelados, através de técnicas de criopreservação, para ser utilizado em futuras tentativas. 

Transferência embrionária

Nesta etapa do tratamento, são selecionados os melhores embriões e introduzidos dentro do útero materno. O procedimento é relativamente simples, não requer qualquer tipo de sedação ou anestesia e pode ser realizado no atendimento ambulatorial.

Teste de gravidez

Dez dias depois da transferência embrionária, é realizado um teste de gravidez. Caso o resultado seja positivo, será necessário realizar um ultrassom transvaginal para avaliar o saco gestacional do feto. 


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