Estimulação ovariana: entenda como funciona em diferentes técnicas de Reprodução Assistida

A estimulação ovariana é muito usada nos tratamentos de infertilidade, principalmente nas Fertilizações In Vitro (FIV). Além disso, também é uma ferramenta para as mulheres que querem congelar seus óvulos, seja para adiar a maternidade ou preservar a fertilidade. 

Mas afinal, o que é a estimulação ovariana? Qual seu objetivo? Como é feita? No texto a seguir você vai saber muito mais sobre este assunto.

O que é estimulação ovariana?

A estimulação ovariana é um procedimento da Reprodução Assistida realizada para liberar um maior número de óvulos por ciclo. O objetivo é obter uma boa quantidade de gametas femininos aptos a serem fertilizados para formar embriões, e com eles chegar a uma gravidez.

Nesse sentido, é importante explicar que durante o ciclo menstrual natural, geralmente apenas um óvulo é liberado pelos ovários. Desta forma, embora vários folículos estejam prontos para se desenvolverem, somente um deles cresce até romper e liberar o óvulo.

Sendo assim, a estimulação ovariana utiliza medicações hormonais para que vários folículos cresçam e amadureçam ao mesmo tempo, dando origem a mais óvulos por ciclo.

Como funciona a estimulação ovariana?

A estimulação ovariana é realizada através do uso de hormônios semelhantes aos produzidos no ciclo natural, porém em maiores doses. As medicações podem ser tomadas em casa, ou se a paciente preferir, administradas na clínica de Reprodução Assistida. 

O objetivo é aumentar o número de óvulos liberados dentro do mesmo ciclo. Desta forma, a estimulação começa nos primeiros dias do ciclo menstrual da mulher (fase folicular) e dura aproximadamente de 8 a 12 dias. 

Porém, a resposta às medicações é individual de cada mulher, e depende de fatores como idade, reserva ovariana, causa da infertilidade, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, e cirurgias nos ovários, sendo que esses fatores podem interferir na resposta ao tratamento.

Por isso, é importante que a estimulação ovariana seja acompanhada de perto através de ultrassonografias e exames de dosagens hormonais. Desta forma, é possível ao médico avaliar o crescimento dos folículos, e ajustar a dosagem dos hormônios caso necessário. Além disso, ajuda a determinar o melhor momento para se administrar o hCG, que induz o amadurecimento dos óvulos e a ovulação.

Mas para entender como funciona a estimulação ovariana, é importante conhecer como acontece o ciclo menstrual feminino. Nesse sentido, o ciclo regular dura em média 28 dias, divididos em 3 fases, sendo que o final de um ciclo marca o início do próximo.

Veja as fases do ciclo menstrual:

Fase folicular

A fase folicular é a primeira etapa do ciclo menstrual e acontece entre o primeiro dia da menstruação e a ovulação

Neste período, que dura habitualmente entre 12 e 16 dias, os folículos ovarianos crescem e começam a preparar o corpo para uma possível gravidez. Sendo assim, há um aumento da produção do hormônio folículo estimulante (FSH), que faz com que os folículos se desenvolvam. 

Com esse crescimento o ovário passa a produzir mais estrogênio, hormônio responsável por tornar o revestimento do útero pronto para uma eventual gestação.

Fase ovulatória

A fase ovulatória é a segunda etapa do ciclo menstrual e consiste na ovulação. 

Nesse sentido, ocorre a liberação do óvulo maduro que segue para as tubas uterinas onde poderá acontecer a fecundação. Como o óvulo sobrevive apenas de 12 a 24 horas fora do ovário, é preciso que ele encontre o espermatozoide neste curto espaço de tempo para dar início a uma gravidez. 

Ainda, é importante ressaltar que o dia da ovulação varia conforme a duração do ciclo. Em muitos casos, ocorre no 14º dia. Porém, há mulheres que ovulam em dias diferentes do ciclo.

Fase lútea

A fase lútea do ciclo menstrual é aquela que ocorre após a ovulação. Nesta etapa, o corpo lúteo nome dado ao folículo após a saída do óvulo produz a progesterona, responsável pelo amadurecimento do endométrio. Ela dura em média 14 dias (a menos que ocorra fecundação) e termina pouco antes da próxima menstruação.

Nesse sentido, caso o óvulo tenha sido fecundado, ele se desloca até o útero e se fixa no endométrio. Por outro lado, se não houver fecundação, o óvulo se desintegra e o endométrio, que estava pronto para receber o embrião, passa a descamar. Essa descamação do endométrio constitui a menstruação que marca o início de um novo ciclo reprodutivo.

Qual a importância da estimulação ovariana para a Reprodução Assistida?

A estimulação ovariana é uma etapa essencial para o sucesso de vários tratamentos de Reprodução Assistida, especialmente para a Fertilização In Vitro (FIV) e Congelamento de Óvulos. O objetivo é sempre obter uma quantidade maior de óvulos por ciclo, aumentando as chances de uma gravidez.

Para isto, são utilizados hormônios que induzem o crescimento e amadurecimento dos folículos e, dependendo do caso, medicações que impedem a ovulação natural. Desta forma, os óvulos podem ser coletados, para que sejam criopreservados ou fertilizados em laboratório.

Veja as etapas da estimulação ovariana:

Estímulo aos folículos

A primeira etapa do procedimento é induzir o crescimento do maior número de folículos durante o ciclo menstrual. Isto é feito com a administração de FSH (hormônio folículo-estimulante) pela via subcutânea.

Normalmente as injeções são de uso diário, porém existem medicações “de depósito”, que após a aplicação são liberadas no corpo e tem duração de até 7 dias.

Neste período, são realizadas ultrassonografias para acompanhar o crescimento e a evolução dos folículos, além de evitar o risco da síndrome do hiperestímulo ovariano.

Controle da ovulação

O controle da ovulação também é feito através de ultrassonografia para verificar se os folículos atingiram o número suficiente e grau de maturação adequado. 

A partir daí, é feita a indução da ovulação com hCG, para induzir a rotura dos folículos e o amadurecimento dos óvulos que serão captados em aspiração folicular. Cerca de 36 horas depois da aplicação, os folículos se rompem e liberam os óvulos. 

Neste momento é a hora de dar andamento ao tratamento. No caso da Inseminação Artificial os espermatozoides são ” ajudados” a chegar até o óvulo para fecundá-lo. Isto pode ocorrer através da inseminação artificial intracervical (IC), quando o esperma é colocado no colo do útero. Outra forma é a inseminação artificial intrauterina (IU), em que o esperma é inserido direto dentro do útero.

Por outro lado, quando a técnica a ser usada é a Fertilização In Vitro, faz-se a punção ovariana para a coleta dos óvulos e posterior fecundação em laboratório. 

Veja abaixo a relação da estimulação ovariana em cada técnica de Reprodução Assistida:

Coito Programado (CP) 

A técnica considerada de baixa complexidade é indicada para casos leves de infertilidade, especialmente nas situações de dificuldade para ovulação. Nesse sentido, busca-se estimular o crescimento de até três folículos, para reduzir a chance de uma gestação gemelar

Depois da estimulação, caso o procedimento tenha tido sucesso, orienta-se o casal a manter relações sexuais durante o período fértil. Assim, a fecundação ocorre naturalmente na tuba uterina da mulher.

Inseminação Artificial ou Intrauterina (IIU) 

A IIU também é considerada técnica de baixa complexidade e prevê a estimulação de até três folículos. No entanto, o processo é um pouco diferente do coito programado. 

Nesse sentido, quando a mulher está em seu período fértil, o homem vai à clínica de Reprodução Assistida para a coleta do sêmen, do qual selecionam-se os melhores espermatozoides para a inseminação artificial. Desta forma, eles são colocados em um cateter e inseridos diretamente no útero para facilitar a fecundação.

Fertilização In Vitro (FIV) 

Esta é uma técnica de alta complexidade na qual a fecundação dos óvulos pelos espermatozoides é feita em laboratório. Por essa razão, a estimulação ovariana é diferente. Como os especialistas escolhem os embriões de melhor qualidade, para implantação posterior no útero da mulher, o protocolo utilizado provoca uma produção de óvulos muito maior que na baixa complexidade.

Desta forma, a quantidade de óvulos a ser coletada depende da resposta da paciente à estimulação. Sendo assim, dependendo da idade da paciente (quanto maior a idade, menor a chance de gravidez), implantam-se de uma três embriões na cavidade uterina. Contudo, mesmo com um maior controle, ainda há chance de uma gravidez gemelar. Tudo vai depender se o embrião vai se fixar ou não no útero. 

Além disso, no caso das mulheres que buscam o congelamento de óvulos, os gametas coletados são criopreservados e podem futuramente ser utilizados para gerar uma gravidez.

Sintomas estimulação ovariana 

Como vimos, a estimulação ovariana é realizada com a utilização de medicações hormonais, que podem causar alguns efeitos colaterais. Entre eles, as mulheres podem sentir inchaço abdominal e dor abdominal ou nas mamas, insônia, enjoos e vômitos. Além disso, as pacientes podem ter dor de cabeça, cansaço, irritabilidade, depressão, ganho de peso, entre outros.

Cuidados durante a estimulação ovariana

A estimulação ovariana deve sempre ser prescrita por um médico especialista, de acordo o caso de cada um. Nesse sentido, o uso de forma inadequada pode gerar efeitos colaterais graves, até mesmo prejudicando as chances de uma gravidez. 

Portanto, além de seguir as recomendações quanto ao tempo e dose de cada medicamento, é importante também realizar o controle do tratamento. Nesse sentido, é primordial fazer exames de ultrassom e dosagens hormonais para avaliar a resposta ovariana, como o número de folículos existentes e a data provável da ovulação.

Síndrome do Hiperestímulo Ovariano: saiba mais

A Síndrome do Hiperestímulo Ovariano (SHO) é uma complicação decorrente da grande produção hormonal que pode ocorrer em algumas pacientes principalmente quando são coletados acima de 15 óvulos.

Além disso, o quadro está associado também ao aumento da permeabilidade dos vasos. Desta forma, pode ocorrer a passagem de fluido dos vasos sanguíneos para seu exterior, ocasionando uma retenção de líquido no abdômen, nos pulmões e outros órgãos.

Dependendo do momento em que a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano acontece, ela é caracterizada de precoce ou tardia, e apresenta alguns sintomas:

  • Distensão, desconforto ou dor abdominal;
  • Dor ou cólica leve;
  • Náusea, vômito e/ou diarreia;
  • Inchaço e ganho de peso;
  • Dificuldade respiratória; 
  • Diminuição da diurese;
  • Alteração dos exames do sangue;
  • Alteração da função renal;
  • Aumento do tamanho dos ovários.

Como tratar a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano?

Uma vez confirmada a SHO, o tratamento consiste principalmente em minimizar os sintomas e prevenir possíveis complicações que podem variar conforme o grau da doença.

Forma leve

Nesses casos, os sintomas podem ser tratados com analgésicos, medicação antiemética (para náuseas) e que auxiliem a função gastrointestinal. Além disso, a paciente deve se manter hidratada, ingerindo pelo menos 2 litros de água por dia. É recomendado também repouso, inclusive sexual.

Desta forma, os quadros leves não necessitam de internação, porém, em alguns casos pode ser necessária punção para retirada do excesso de fluido abdominal. De maneira geral, é essencial manter contato constante com a equipe médica para evitar a evolução para formas mais graves.

Forma moderada

Na SHO moderada, é importante realizar um acompanhamento ambulatorial mais efetivo, com controle do peso, avaliação ultrassonográfica e exames como hemograma. Da mesma forma, é recomendada uma avaliação da função renal e eletrólitos, pois dependendo do caso da paciente, também pode ser necessário aspirar o excesso de líquido abdominal.

Além disso, dos mesmos cuidados indicados para quem tem a forma leve, como repouso, hidratação, etc, também são recomendados para pacientes com a forma moderada.

No caso de mulheres grávidas, os cuidados são ainda mais intensos. Isto é necessário pois as pacientes com hiperestímulo precoce (não gestantes) têm queda mais rápida dos níveis de hCG e consequentemente, uma melhora dos sintomas mais acelerada. Porém, as gestantes apresentam aumento constante deste hormônio, o que é típico da gravidez, o que eleva os riscos.

Forma grave

Nos casos graves, a internação hospitalar é indicada. Assim, são tratadas possíveis complicações como a correção de excesso de potássio, uso de medicamentos para melhorar o funcionamento dos rins e anticoagulação preventiva ou terapêutica em casos de trombose. Além disso, cuidados com hidratação e acompanhamento laboratorial devem ser frequentes. 

Na forma grave, o ovário geralmente fica muito maior que o habitual, apresentando risco de torção. Nesse sentido, se isto ocorrer, pode ser necessário procedimento cirúrgico para distorcer o ovário, ou em último caso, realizar sua retirada.


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