Eclâmpsia e pré-eclâmpsia na gravidez: entenda diferenças e sinais de alerta

Você já ouviu falar em eclâmpsia ou pré-eclâmpsia? Sabe o que são?

Essas doenças ligadas à hipertensão arterial são importantes complicações da gravidez. Sendo assim, por representarem perigo para a gestante e para bebê, precisam ser acompanhadas de perto pelo obstetra. 

Mas afinal, o que é eclâmpsia? E a pré-eclâmpsia? Quais seus sintomas, riscos e tratamento? O texto a seguir vai esclarecer essas e outras dúvidas sobre estes temas, continue a leitura e entenda mais sobre:

O que é eclâmpsia?

A eclâmpsia é uma importante complicação da gravidez, rara, porém grave, que se caracteriza por episódios repetidos de convulsões. Dessa maneira, pode ser muito perigoso para a mãe e seu bebê, e até mesmo fatal.  Nesse sentido, é considerado o grau mais grave da hipertensão na gravidez, afetando cerca de uma em cada 2 mil ou 3 mil gestações. 

Em outras palavras, a eclâmpsia é uma manifestação crítica da pré-eclâmpsia, que ocorre geralmente após a 20ª semana de gestação. Além do mais, o quadro pode acontecer também na hora do parto ou até mesmo após o nascimento. 

Nesse sentido, as crises convulsivas duram em média 1 minuto. Elas são normalmente precedidas por dor de cabeça, alterações visuais ou dor abdominal intensa, podendo evoluir para coma.

Contudo, ao contrário do que os nomes pré-eclâmpsia e eclâmpsia podem sugerir, uma doença não necessariamente evolui para a outra. Na verdade, embora estejam relacionadas, a grande maioria das gestantes com pré-eclâmpsia grave não irá apresentar eclâmpsia. Em todo caso, é importante ficar atento aos sintomas.

Por isso, veja os principais sintomas da eclâmpsia:

  • Convulsões;
  • Dor de cabeça intensa;
  • Hipertensão arterial;
  • Aumento de peso rápido devido à retenção de líquido;
  • Inchaço das mãos e pés;
  • Inchaço da face;
  • Perda de proteínas pela urina (urina espumosa);
  • Zumbidos nos ouvidos;
  • Dor de barriga intensa;
  • Vômitos;
  • Alterações de visão.

O que é pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é uma complicação da gestação que se caracteriza por um quadro de hipertensão arterial (pressão superior a 140 x 90 mmHg) associada à proteinúria (perdas de proteínas na urina). A doença se manifesta normalmente a partir da 20ª semana de gravidez, no parto (seja ele normal ou cesárea), ou nos primeiros dias após o nascimento do bebê. Dessa forma, se não for tratada precocemente pode provocar lesão de órgãos importantes, tais como fígado, rins, pulmões e cérebro. 

Sendo assim, ela ocorre em 5% a 10% das gestações, sendo que 75% dos casos são leves e 25%  graves. Além disso, a doença parece ocorrer devido a problemas no desenvolvimento dos vasos da placenta, causando diminuição da circulação sanguínea e alterações na capacidade de coagulação do sangue. 

Dessa forma, quando o distúrbio se instala, há liberação de proteínas na circulação materna que provocam uma resposta imunológica da gestante. Assim, as paredes dos vasos sanguíneos são danificadas, o que resulta em vasoconstrição,  e consequentemente, no aumento da pressão arterial.

Esta condição, que afeta cerca de 8,5 milhões de mulheres em todo o mundo, é responsável por aproximadamente 15% dos partos prematuros. Por isso, é necessário prestar atenção aos possíveis sintomas que podem indicar  uma pré- eclâmpsia leve ou grave. Ou seja, se a grávida apresentar pelo menos um dos sintomas citados abaixo, deve procurar seu médico ou ir ao hospital para medir a pressão arterial e fazer exames de sangue e de urina.

Conheça os tipos de pré-eclâmpsia e seus sintomas:

Pré-eclâmpsia leve

  • Pressão arterial igual a 140 x 90 mmHg;
  • Presença de proteínas na urina;
  • Inchaço e ganho repentino de peso, como 2 a 3 kg em 1 ou 2 dias.

Pré-eclâmpsia grave

  • Pressão arterial superior a 160 x 110 mmHg;
  • Dor de cabeça forte e constante;
  • Dor no lado direito do abdômen;
  • Diminuição da quantidade de urina e da vontade de urinar;
  • Alterações na visão, como vista embaçada ou escurecida;
  • Sensação de ardência no estômago.

Quais são as causas da pré-eclâmpsia?

Tanto a eclâmpsia quanto a pré-eclâmpsia estão associadas à hipertensão arterial, que pode ser crônica ou específica da gravidez. Nesse sentido, podem ocorrer devido a problemas no desenvolvimento dos vasos da placenta, no início da gravidez, durante sua implantação no útero. 

Desta forma, conforme a gravidez se desenvolve e a placenta cresce, a falta de uma vascularização perfeita leva a uma baixa circulação de sangue, podendo causar isquemia placentária. Assim, a placenta em sofrimento por falta de circulação adequada produz uma série de substâncias. Ao caírem, portanto, na circulação sanguínea materna, elas causam descontrole da pressão arterial.

Além disso, outros fatores aumentam o risco de desenvolver pré-eclâmpsia:

  • Gravidez em mulheres com mais de 40 anos ou menos de 18;
  • História familiar de eclâmpsia;
  • História familiar de pré-eclâmpsia;
  • Eclâmpsia ou pré-eclâmpsia em uma gestação anterior;
  • Gravidez de gêmeos;
  • Mulheres com hipertensão;
  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Doença renal crônica;
  • Grávidas com doenças autoimunes, como lúpus;
  • Intervalo de tempo prolongado entre gestações;
  • Primeira gestação.

Doenças hipertensivas e gravidez: conheça outros casos

Como vimos, a pré-eclâmpsia é uma doença hipertensiva que pode ocorrer durante a gravidez. Contudo, outros quadros hipertensivos também  acometem as gestantes.

Vejas as diferenças entre eles:

Hipertensão crônica

É a hipertensão arterial que existia antes da gravidez ou que ocorre antes da 20ª semana de gestação. Assim, como a pressão arterial elevada geralmente não tem sintomas, pode ser difícil determinar quando começou.

Hipertensão gestacional

As mulheres com hipertensão gestacional têm pressão arterial elevada, mas sem excesso de proteína na urina, ou outros sinais de danos em órgãos. Algumas mulheres com hipertensão gestacional podem, eventualmente, desenvolver pré-eclâmpsia.

Pré-eclâmpsia 

E o surgimento de pressão arterial alta após a 20ª semana de gravidez. Nesse sentido, está associado à perda de proteínas na urina, chamada de proteinúria.

Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia superposta

Esta condição ocorre em mulheres que têm pressão arterial elevada crônica antes da gravidez. Portanto, desenvolvem o agravamento dessa pressão com presença de proteína na urina.

Como ocorre o diagnóstico de eclâmpsia?

O diagnóstico de eclâmpsia é estabelecido com base nos níveis elevados da pressão arterial, na história clínica, nos sintomas da paciente e nos resultados de exames laboratoriais de sangue e de urina.

Dessa maneira, para confirmar ou descartar o diagnóstico, o médico irá solicitar exames específicos como:  

  • Medição da pressão arterial;
  • Exames de sangue para determinar contagem de plaquetas e o funcionamento do fígado e rins;
  • Exames de urina para identificar altos níveis de proteína;
  • Ultrassom fetal com Doppler, para saber como está o bebê;
  • Exames para verificar a frequência cardíaca do bebê.

Quais são as possíveis complicações da eclâmpsia?

A eclâmpsia é uma situação preocupante para as grávidas já que representa riscos tanto para a mãe quanto para o  bebê. Desta forma, quando a doença não é diagnosticada, tratada e acompanhada por um médico, pode apresentar complicações ainda mais perigosas. 

Nesse sentido, a melhor prevenção é controlar de perto a pressão arterial durante toda a gravidez. Além disso, fazer os exames de pré-natal necessários para detectar, o mais cedo possível, qualquer alteração indicativa desta doença.

Conheça algumas possíveis complicações da eclâmpsia:

Síndrome HELLP

Em inglês, a sigla HELLP significa Hemolisys (hemólise), Elevated Liver Enzymes (enzimas do fígado elevadas) Low Platelets (plaquetas baixas). Nesse sentido, a síndrome é uma grave complicação caracterizada por sintomas de eclâmpsia, além da destruição das células sanguíneas, com anemia,  hemoglobinas abaixo de 10,5%, queda das plaquetas abaixo de 100.000/mm³, além da elevação das enzimas hepáticas.

Nesse sentido, a síndrome de HELLP está associada ao inchaço do fígado e diminuição da atividade de coagulação do sangue, com destruição de glóbulos vermelhos. Sendo assim, na sua forma mais agressiva, pode causar o óbito da mãe se não for controlada.

Sangramentos

Os sangramentos ocorrem devido à destruição e diminuição do número de plaquetas, bem como ao comprometimento da capacidade de coagulação;

Prematuridade do bebê: 

A eclâmpsia pode causar descolamento da placenta, baixo crescimento e desenvolvimento intra-uterino e parto prematuro. Dessa forma, pode deixar sequelas para o bebê.

Edema agudo de pulmão: 

Nesta situação há acúmulo de líquido nos pulmões;

Insuficiência do fígado e rins: 

Nesses quadros, fígado e rins deixam de realizar suas funções normalmente. Dessa forma isso pode, inclusive, se tornar irreversíveis.

Morte materna: 

A eclâmpsia, forma mais grave dos distúrbios hipertensivos, pode levar à complicações e morte materna. Nessa casos, os óbitos são decorrentes de hemorragia cerebral, edema agudo de pulmão, insuficiência renal aguda, insuficiência hepática com ou sem coagulação intravascular disseminada, entre outros.

Qual o tratamento para eclâmpsia?

A eclâmpsia, ao contrário da hipertensão arterial comum, não responde aos diuréticos nem a uma dieta pobre em sal. Dessa forma, o tratamento normalmente para grávidas com diagnóstico de eclâmpsia inclui:

Medicamentos

A administração de Sulfato de Magnésio na veia é o tratamento mais comum em casos de eclâmpsia, que age controlando as convulsões e a entrada em coma. 

Repouso

Durante a internação hospitalar, a grávida deve repousar o máximo possível, de preferência deitada para o lado esquerdo, o que melhora o fluxo de sangue para o bebê.

Indução do parto

O parto é a única forma de curar a eclâmpsia, portanto, o médico pode antecipar o nascimento, dependendo de quantas semanas da gestação já se passaram.  

Dessa forma, a decisão de se induzir o parto, ou prolongar a gravidez deve levar em consideração a idade gestacional, a gravidade da eclâmpsia e as condições de saúde da mãe e do feto. Nesse sentido, se surgirem sintomas de risco de vida, o parto prematuro pode ocorrer entre 32 e 36 semanas de gravidez.

Vale ressaltar que, apesar da eclâmpsia normalmente melhorar após o parto, podem surgir complicações nos dias seguintes, por isso a mulher deve ser monitorada rigorosamente.

Como é feito o tratamento pré-eclâmpsia?

O tratamento da pré-eclâmpsia busca garantir a segurança da mãe e do bebê, e tende a variar de acordo com a gravidade da doença e com o tempo de gestação. Nesse sentido, é importante a grávida controlar frequentemente a pressão arterial e fazer exames de urina rotineiramente, para evitar que a pré-eclâmpsia piore.

Além disso, nos casos leves, o obstetra geralmente recomenda que a mulher fique em casa e siga uma dieta pobre em sal e com aumento da ingestão de água para cerca de 2 a 3 litros por dia. O repouso deve ser seguido à risca e de preferência para o lado esquerdo, de forma a aumentar a circulação sanguínea para os rins e o útero.

Já nos casos de pré-eclâmpsia grave, o tratamento geralmente é feito no hospital. Dessa maneira, a grávida recebe remédios anti-hipertensivos pela veia e fica sob vigilância para avaliação constante da sua saúde e a do bebê. De acordo com a idade gestacional, o médico pode recomendar induzir o parto para tratar a pré-eclâmpsia.

Saiba mais: eclâmpsia pós-parto

Como já vimos, a eclâmpsia acontece geralmente a partir da 20ª semana de gravidez, mas  pode se manifestar também na hora do parto, ou após o nascimento do bebê. Nesse sentido, a eclâmpsia no pós parto é uma condição rara que ocorre logo nas primeiras 48 horas após o parto. 

Sendo assim, é mais comum em mulheres que foram diagnosticadas com pré-eclâmpsia durante a gravidez, mas também pode acometer gestantes com características que favorecem essa doença, como obesidade, pressão alta, diabetes, idade superior a 40 ou menores de 18 anos. Por isso, é preciso ficar atento aos sinais de possível eclâmpsia  no pós-parto como:

  • Desmaio;
  • Dor de cabeça;
  • Dor abdominal;
  • Visão embaçada;
  • Convulsões;
  • Pressão arterial alta;
  • Inchaço das mãos e dos pés;
  • Presença de proteínas na urina;
  • Zumbidos nos ouvidos;
  • Vômito.

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