Classificação dos embriões: qual é o melhor embrião para transferir?

A classificação dos embriões tem uso pelos embriologistas para definir a qualidade morfológica dos embriões obtidos a partir do procedimento de Fertilização In Vitro.

Nesse sentido, é uma das tarefas mais importantes do tratamento, pois quanto melhor a qualidade do embrião, maiores são as chances de uma gravidez. A seguir saberemos mais como ocorre essa classificação e qual é o melhor tipo de embrião para implantar no útero da mulher. 

O que é um embrião humano?

O embrião origina-se da fertilização entre o óvulo e o espermatozoide, e corresponde às primeiras modificações do óvulo fecundado. O período embrionário corresponde às primeiras 8 semanas de desenvolvimento.

O que é classificação dos embriões?

A partir da técnica de Fertilização In Vitro, passou-se a estimular a ovulação da mulher e em cada ciclo, vários óvulos são puncionados dos ovários e fertilizados pelos espermatozoides em laboratório. Se a fertilização ocorrer bem, originam-se os melhores embriões, que posteriormente passam por análise e transferência para o útero da mulher. 

No entanto, foi necessário desenvolver uma classificação para saber qual é o embrião de melhor qualidade. Dessa forma, transfere-se o que tem melhores características ao útero da mulher, com objetivo de alcançar a gravidez.

Como acontece a classificação dos embriões?

Como já vimos, a partir da obtenção de vários embriões, os embriologistas fazem uma classificação para saber quais são os de melhor qualidade.  Nesse sentido, eles observam o desenvolvimento de cada um em ambiente laboratorial, que simula a trompa de falópio em uma gestação espontânea.

Dessa forma, até o 3º dia de desenvolvimento a classificação do embrião é simples, passando por divisões de 2, 4, 6 e 8 células. Ou seja:

  • D1 – primeiro dia, estágio pronuclear, é possível visualizar os 2 pronúcleos no citoplasma do zigoto;
  • D2 – segundo dia, divide-se de 2 a 4 células (começa a clivagem);
  • D3 – terceiro dia, pode ser dividido em até 8 células;
  • D4 – quarto dia, estágio de compactação celular, sendo que o ideal é mórula.
Desenvolvimento embrionário do primeiro ao quarto dia (D1, D2, D3 e D4).

Além do número de células, a classificação do embrião até o terceiro dia acontece também pelo seu aspecto. Desta forma, a avaliação é feita pelos seguintes parâmetros:

  • A – O embrião tipo A, ou G1, não tem fragmentações. Ou seja, todas as células chamadas blastômeros são íntegras, redondas ou ligeiramente ovaladas. 
  • B – O embrião tipo B, ou G2, tem até 10% das células fragmentadas. Ou seja, que não são perfeitas;
  • C – O embrião tipo C, ou G3, tem de 10% a 50% de fragmentações, com maioria das células simétricas;
  • D – O embrião tipo D, ou G4, tem mais de 50% de fragmentações, com células assimétricas.

Sendo assim, um embrião 2A, por exemplo, tem dois dias e até 4 células. É classificado de A por que as células não têm fragmentação. Ou seja, são normais e perfeitas sem ter qualquer alteração. Já um embrião 3B significa que ele está no terceiro dia com até 8 células, porém uma das células foi fragmentada. Então tem  até 10% de células imperfeitas. 

Qual é a melhor classificação dos embriões?

Para os embriologistas, até o terceiro dia de desenvolvimento, o embrião 8A é a melhor classificação a ser transferida ao útero. Isto significa que este embrião tem 8 células, considerado o número ideal de células para o dia 3. Além disso, por ser “A” (ou G1) revela que todas as células são regulares e não há nenhuma fragmentação no embrião.

E como acontece a classificação do blastocisto?

Antes de falarmos em classificação do blastocisto é importante esclarecer o que é esta fase do embrião. 

Antigamente, transferiam-se os embriões com 2 ou 3 dias. No entanto, com o avanço da tecnologia, a medicina reprodutiva passou a cultivar os embriões em até 7 dias. Desta maneira, é possível transferi-los em estágio de blastocisto, no quinto dia de desenvolvimento, quando acontece a implantação no útero  em uma gestação natural.

Sendo assim, em D5, o embrião já tem centenas de células e uma cavidade chamada blastocele. A massa celular interna vai formar os tecidos e órgãos do corpo humano, enquanto as células externas dá origem aos tecidos placentários e aos anexos embrionários.

Desta forma, quando a cavidade do blastocisto está bem expandida, há uma ruptura da membrana que o envolve, chamada de zona pelúcida. A partir daí, o embrião sai desta camada e tem condições de se implantar no útero materno para dar início à gravidez.

Qual é o melhor blastocisto para ser transferido ao útero? 

Para responder esta pergunta é importante esclarecer que nesta fase também tem uma classificação específica que surgem das letras e números. Assim, analisando a cavidade (blastocele), classificam-se os embriões de 1 a 6. Sendo 1 a blastocele menor e com menos chance de implantar, e 6 a blastocele maior, com o embrião já totalmente fora da sua cápsula. 

Quanto às células da periferia, chamadas de células do trofoectoderma, analisa-se o número, as suas características, a sua compactação e regularidade. Nesse sentido, a Classificação é A, B ou C, sendo A o melhor e C o pior. A massa celular interna, que vai realmente desenvolver o bebê, a classificação é também A, B e C. 

Assim, existem três critérios para avaliar os embriões em fase de blastocisto. O melhor embrião será classificado como 3AA e o pior embrião como 1CC.

Transferência de embrião na FIV: qual é o melhor?

A seleção dos melhores embriões para implantar no útero da paciente na Fertilização In Vitro é a etapa crucial para o sucesso do tratamento. Geralmente, os embriões escolhidos para transferir à cavidade uterina tem 3 dias (D3) ou 5,6 ou 7 dias (D5/D6/D7) de desenvolvimento. 

Confira abaixo mais informações sobre as duas possibilidades:

Transferência Embrionária em D5/D6/D7 (Blastocisto)

A maioria dos especialistas recomenda que a transferência embrionária aconteça em estágio de blastocisto, devido às melhores taxas de gestação. Pois é nesta fase que na gravidez natural o embrião está pronto para se fixar à cavidade uterina.

Além disso, é possível realizar análises genéticas permitindo a seleção de embriões geneticamente saudáveis para a transferência. No entanto, os testes genéticos também podem acontecer em embriões no terceiro dia de desenvolvimento (D3).

O aconselhado em medicina reprodutiva é realizar a transferência de até dois embriões em fase de blastocisto. Os demais embriões neste estágio, que não forem utilizados, podem ser congelados para uma futura gestação por reprodução assistida.

Transferência Embrionária em D3

Recomenda-se a transferência do embrião antes da fase de blastocisto quando se consegue formar poucos embriões. Sendo assim, nestes casos, indica-se a transferência em D3 (terceiro dia de desenvolvimento). 

Esta conduta ocorre porque os meios de cultivo laboratoriais não são mais adequados do que o ambiente uterino. Assim, a transferência em D3 pode ser uma estratégia para reduzir a exposição do embrião aos meios de cultivo artificiais, diminuindo o risco dele não se desenvolver até o D5. 

Portanto, como podemos perceber, nem sempre é fácil definir qual o melhor dia para transferir os embriões para a cavidade uterina. Por isso, a decisão deve levar em consideração a escolha do casal em conjunto com a opinião do médico especialista e do embriologista. 

Além disso, é preciso também avaliar outros fatores, como a idade da mulher, a qualidade e quantidade dos embriões.

Por que o embrião não se desenvolve na FIV? 

Na Fertilização In Vitro, o comum é que os casais produzam embriões de classificação boa, intermediária e até ruim. Além disso, alguns embriões nem chegam a se desenvolver e param de evoluir no laboratório. Isso ocorre principalmente pela má qualidade dos gametas do casal, e também por fatores ambientais ou externos.

Nesse sentido, a alimentação balanceada e estilo de vida saudável são fatores determinantes para uma função reprodutiva normal. Casais que buscam tratamento para infertilidade devem promover mudanças para melhorar a qualidade dos embriões e aumentar, assim, o sucesso do tratamento.

Da mesma forma, é muito importante procurar uma boa clínica de reprodução assistida. Nesse sentido, todos os processos devem ser realizados de forma extremamente cuidadosa. É preciso uma boa indução da ovulação, com medicamentos criteriosos, em quantidade razoável e não exagerada. 

Além disso, o especialista deve determinar o momento certo para a retirada dos óvulos, que deve ser realizada de uma maneira perfeita. Assim como nos gametas femininos, a manipulação dos espermatozoides e embriões em laboratório também precisa ocorrer de maneira criteriosa e muito delicada.  

Portanto, se houver algum problema em um destes processos, o embrião pode não se desenvolver de forma adequada e assim não ocorrer a gestação.

Classificação dos embriões: como melhorar a sua qualidade?

Como já vimos, mudar hábitos alimentares, ter menos estresse e praticar mais exercícios físicos são fatores fundamentais para melhorar a qualidade dos embriões de um casal.

Abaixo veja o que é preciso fazer para homens e mulheres aumentarem as chances de uma gravidez:

Para as mulheres

  • Mudar o estilo de vida, pelo menos seis meses antes do tratamento pode apresentar ótimos resultados, melhorando em até 65% a chance de gestação;
  • Tratar a obesidade, e evitar bebidas alcoólicas em excesso, tabagismo, sedentarismo e estresse pois podem prejudicar o tratamento;
  • Aumentar a ingestão de ácidos graxos poli insaturados, como azeite de oliva e óleo de milho. Além disso, consumir Ômega 3 como peixes, salmão, atum, truta, sardinha, linhaça, nozes, sementes de girassol entre outros também pode melhorar a qualidade do embrião para a FIV (Fertilização In Vitro);
  • Para mulheres com diagnóstico de infertilidade sem causa aparente (ISCA), o uso de antioxidantes – vitamina E, betacaroteno e vitamina C, podem diminuir o tempo para engravidar. 

Para os homens

  • Ingerir alguns alimentos ricos em antioxidantes e vitaminas pode ajudar na qualidade do sêmen, como o zinco, presente na carne bovina, feijão e fígado de galinha.  O licopeno está presente no tomate.  A vitamina B6 pode ser encontrada em peixes, aves e soja.  A vitamina E nos grãos integrais e nozes. Por último, a vitamina C está nas frutas cítricas;
  • Homens, principalmente acima de 44 anos, se beneficiam do aumento da ingestão de vitamina C, E e zinco, diminuindo a fragmentação de DNA dos espermatozoides;
  • Os ácidos graxos como Ômega 3 e Ômega 6 também podem ser úteis para os homens, melhorando a  concentração, motilidade (grau de movimentação) e morfologia (formato) dos espermatozoides;
  • Dieta equilibrada e a prática regular de atividade física podem aumentar as chances do tratamento dar certo. Nesse sentido, hábitos como tabagismo, alcoolismo e sedentarismo devem ser evitados pois são extremamente prejudiciais à qualidade do embrião.

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