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Blastocisto: entenda a sua importância para a fertilização in vitro

O blastocisto é a etapa do crescimento embrionário humano fundamental para gerar uma gravidez. Para entender a sua importância é preciso saber como funciona as fases do desenvolvimento embrionário.

Por esta razão, é necessário explicar que quando o espermatozoide penetra no óvulo, ainda na tuba uterina, ocorre a fecundação. Nesse momento, os cromossomos maternos e paternos se unem para iniciar a divisão celular e a formação de um embrião.

A partir de então, o desenvolvimento embrionário se inicia e passa por diferentes fases e, geralmente após o 5º ou 6º dia de desenvolvimento, o embrião chega ao estágio de blastocisto. É nesta etapa que o embrião está pronto para se encaminhar da tuba à cavidade uterina, onde se fixará no tecido endometrial para começar a gestação.

Na Fertilização in Vitro (FIV), o crescimento embrionário ocorre de forma semelhante, porém os embriões são formados e cultivados em laboratório. Normalmente, é quando o embrião chega ao estágio de blastocisto que o médico especialista em reprodução assistida, juntamente com o embriologista, o transferem para o útero materno.

Como acontece o desenvolvimento embrionário?

O desenvolvimento embrionário passa por diversas fases, que são nomeadas de acordo com características do embrião em crescimento.

O primeiro estágio, já no primeiro dia de desenvolvimento, ocorre quando os dois gametas (óvulo e espermatozoide) se fundem para formar uma única estrutura, chamada de zigoto. A partir de então, iniciam-se as clivagens, como são chamadas as divisões celulares, que darão início a uma nova vida. 

Após a fase de zigoto, o embrião passa por diferentes etapas. Durante os primeiros dias os embriões rapidamente se modificam, veja abaixo as características durante essas fases iniciais de desenvolvimento:

  • D2: Segundo dia após a fertilização: Nesta fase o embrião possui de 2 a 4 células; 
  • D3: Terceiro dia a fertilização:  Nesta fase embrião deve possuir de 6 a 10 células;
  • D4: Quarto dia após a fertilização: O embrião deve estar em estágio de mórula, com cerca de 32 a 64 células compactadas;
  • D5: Quinto dia após a fertilização: O embrião chega ao estágio de blastocisto. Neste momento, ele já conta com 150 células e está em estágio ideal para se fixar ao útero. Todavia, alguns embriões podem apresentar um crescimento mais lento e chegar ao estágio de blastocisto no dia 6 (D6), ou ainda no sétimo dia de desenvolvimento (D7), também possuindo chances de gravidez.

Veja, na imagem abaixo, as características do embrião durante o seu desenvolvimento embrionário até a fase de blastocisto:

Estágios de desenvolvimento do embrião até a fase de blastocisto

Qual a diferença entre embrião e blastocisto?

Como já vimos anteriormente, um embrião é formado a partir da fusão entre os núcleos do óvulo e do espermatozoide. Já o blastocisto consiste em um embrião que evoluiu adequadamente até o quinto dia de desenvolvimento. Na fase de blastocisto o embrião está apto a se fixar no útero materno.

Quais são as características do blastocisto?

O embrião, na fase de blastocisto é composto por mais de 150 células. Após várias divisões celulares, esse embrião se desenvolveu ao ponto de ter componentes celulares diferentes, como massa celular interna, trofoblasto (ou trofoectoderma) e uma cavidade de fluido, denominada de blastocele. As células do trofoblasto formarão a estrutura placentária e as células da massa celular interna darão origem aos tecidos e órgãos do bebê.

Quando o embrião atinge o estágio de blastocisto, está muito próximo da formação completa do embrião, ideal para a implantação no útero. É importante ressaltar, também, que a possibilidade de levar o embrião ao estágio de blastocisto vai depender da qualidade dos óvulos e dos espermatozoides.

Composição do blastocisto

Implantação do blastocisto na fertilização in vitro: saiba mais

A fertilização in vitro (FIV) é indicada para casos graves de infertilidade ou para casais que não conseguem engravidar naturalmente, porém sem causa definida.

Por esta razão, nesta técnica de reprodução assistida, os estágios iniciais da formação e do desenvolvimento embrionário acontecem fora do corpo humano. Sendo assim, os óvulos e os espermatozoides são coletados e a fecundação é realizada em laboratório. Depois disso, os embriões ficam de três até, no máximo, sete dias em cultivo, esperando o momento adequado para serem transferidos ao útero materno.

O ideal é que a transferência seja realizada quando o embrião está em estágio de blastocisto, devido às melhores taxas de gestação. Entretanto a transferência pode ser feita em diferentes fases do desenvolvimento embrionário, com algumas vantagens e desvantagens.

Além disso, durante a fase de blastocisto é possível realizar análises genéticas permitindo a seleção de embriões geneticamente saudáveis para a transferência, aumentando as taxas de sucesso. Os teste genéticos também podem ser feitos em embriões no terceiro dia de desenvolvimento (D3), mas as informações obtidas não são muito completas pois nesse dia a quantidade de células que podem ser obtidas para as análises é menor.

Quantos embriões devem ser formados para originar um blastocisto?

A quantidade de embriões (zigotos) formados para gerar um blastocisto depende de diversos fatores como, por exemplo, a idade da mulher, a reserva ovariana, o estímulo hormonal realizado para a fertilização in vitro, entre outros. Além disso, também varia de acordo com a quantidade e a qualidade dos espermatozoides, e do número de óvulos obtidos a partir da indução ovariana.

No estímulo ovariano, diversos folículos crescem e são monitorados através da ultrassonografia. Quando pelo menos um desses folículos chegam, aproximadamente a 17mm de diâmetro, ocorre a aspiração folicular. Durante este procedimento os folículos são aspirados e os óvulos coletados. No entanto, nem todos os óvulos recuperados estão “maduros” para serem fertilizados pelos espermatozoides. 

Quando os óvulos estão maduros e acontece a fertilização, há também um processo natural de desenvolvimento dos embriões, cujas células devem seguir um padrão de progressão coordenada.

Contudo, como já mencionado, o número de embriões que chegam ao estágio de blastocisto dependem muito da qualidade dos óvulos e dos espermatozoides. Estima- se que, em mulheres com idade abaixo de 37 anos, cujos maridos possuem poucas alterações no sêmen, cerca de 50% dos embriões iniciais chegam a blastocisto. E, os embriões que pararam seu desenvolvimento antes deste estágio, teriam baixíssimas chances de gestação. Já nas mulheres acima de 37 anos, ou nos casos de alterações mais importantes do sêmen, em média, somente 30% dos embriões iniciais chegam ao estágio de blastocisto. Essa seleção natural dos embriões ocorre em praticamente todos os casos de fertilização in vitro. Importante lembrar que muitos outros fatores também podem interferir nessas taxas de sucesso.

O que é nidação e como ela acontece? 

A nidação é o momento no qual o embrião, já em estágio de blastocisto, é finalmente fixado (implantado) no endométrio, tecido que reveste o útero da mulher, para dar início à gestação. 

A nidação é um evento assintomático na maioria dos casos. Entretanto, algumas mulheres podem apresentar sintomas como cólicas abdominais e sensações no baixo ventre que se assemelham a pontadas. Além disso, as pacientes podem ter também um pequeno sangramento vaginal, porém estes sintomas não devem permanecer mais do que três dias.

Leia também: Corrimento na gravidez: quando pode ser perigoso? 

O processo de nidação é natural da gestação e recomenda-se aguardar pela realização do teste de gravidez para saber se a mulher realmente engravidou. Em casos de Fertilização in Vitro, o médico indicará o momento certo para que o teste seja realizado, pois pode variar de acordo com a fase em que o embrião foi transferido.

Como é feita a escolha de blastocistos?

Durante o acompanhamento do desenvolvimento embrionário, os embriologistas clínicos classificam e separam apenas os embriões que têm condições de continuar o desenvolvimento e se implantar no útero da paciente. Isto ocorre, pois, alguns embriões podem ter o desenvolvimento interrompido e não conseguem chegar ao estágio de blastocisto. O aconselhado, em medicina reprodutiva, é realizar a transferência de um dois embriões, em fase de blastocisto. Os demais embriões, neste estágio, que não forem transferidos, podem ser congelados para uma futura gestação por reprodução assistida.

Desta maneira, com esta seleção morfológica e algumas vezes também genética, é possível diminuir a quantidade de embriões transferidos, reduzindo as chances de gestação gemelar e aumentando as taxas de sucesso do tratamento.

Por outro lado, ter o maior número de blastocistos por ciclo vai depender da qualidade dos gametas do casal e também do laboratório de reprodução assistida. Para mulheres com menos de 37 anos é indicado cerca de quatro óvulos maduros para ter um blastocisto. Já nas mulheres acima de 37 anos, esse número aumenta para seis óvulos maduros.

Importante ressaltar, também, que esta proporção é uma estimativa, pois há muitos casos em que o casal tem apenas um óvulo e este gera um embrião que consegue chegar ao estágio de blastocisto. Da mesma forma, muitas vezes a paciente possui um número maior de óvulos maduros sem que nenhum embrião consiga se desenvolver até o estágio de blastocisto.

Sendo assim, o aconselhado pela medicina reprodutiva é realizar a transferência de um ou dois embriões, em blastocisto. Os demais embriões neste estágio que não foram transferidos ao útero, podem ser congelados para uma futura gestação por reprodução assistida.

Quando a transferência do embrião é recomendada antes da fase de blastocisto?

A transferência do embrião é recomendada antes da fase de blastocisto quando se consegue poucos embriões formados. Sendo assim, nestes casos, é indicada a transferência em D3 (terceiro dia de desenvolvimento). 

Esta conduta é tomada porque os meios de cultivo laboratoriais não são mais adequados do que o ambiente uterino. Assim, a transferência em D3 pode ser uma estratégia para reduzir a exposição do embrião aos meios de cultivo artificiais, diminuindo o risco do embrião não se desenvolver até o D5. Fazendo a transferência em D3 aumentaria as chances de o embrião continuar se desenvolvendo, até chegar ao estágio de blastocisto, no próprio útero materno. 

Como podemos perceber, nem sempre é fácil definir qual o melhor dia para os embriões serem transferidos para a cavidade uterina. Por esta razão, a decisão deve levar em consideração a escolha do casal em conjunto com a opinião do médico especialista e do embriologista.

Além disso, é preciso também avaliar outros fatores, como a díade da mulher, a qualidade e quantidade dos embriões formados, o número de tentativas anteriores e questões emocionais, como a ansiedade e expectativa do casal.

Veja no quadro abaixo as vantagens da transferência em D3 e D5:

diferenças em transferir no D3 ou em blastocisto

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