Astenozoospermia: quem tem o diagnóstico positivo pode engravidar?

Você já ouviu falar em Astenozoospermia? Sabe quais são suas causas e consequências? Se é algo reversível? 

A astenozoospermia é um problema masculino que pode representar um grande problema para a fertilidade do homem. Por isso, para saber mais detalhes sobre essa doença, seu diagnóstico e tratamento, leia o texto abaixo.

O que é astenozoospermia?

A astenozoospermia ou astenospermia é a condição masculina que se refere à motilidade dos espermatozoides. Nesse sentido, é a situação na qual as células reprodutoras do homem não têm motilidade suficiente para chegar até o óvulo no corpo da mulher. Ou seja, mesmo que a quantidade de espermatozoides vivos no ejaculado corresponda ao normal, o número de gametas móveis e ativos capazes de se mover rapidamente em linha reta são insuficientes. Dessa forma, impossibilita-se a fecundação. 

Por isso, a astenozoospermia, também chamada de “esperma preguiçoso ou lento”, é considerada um caso de infertilidade masculina pois diminui muito as chances do casal conseguir engravidar. Nesse sentido, é necessário esclarecer que astenozoospermia não tem nenhuma relação com impotência sexual ou perda da libido, como muitos podem pensar. Desta forma, a doença afeta apenas a fertilidade do homem, mas não seu desempenho sexual.

Quais são as causas da astenozoospermia?

As causas da astenozoospermia são, muitas vezes, relacionadas às infecções na região dos testículos. No entanto, existem vários fatores que podem influenciar a mobilidade espermática:

  • Idade avançada: a mobilidade espermática tende a diminuir após os 50 anos;
  • Alimentação: a falta de vitaminas e antioxidantes pode causar astenozoospermia;
  • Temperatura corporal: os testículos devem ter dois graus a menos que o resto do corpo. Assim, se a temperatura for alterada, a motilidade do esperma pode ser afetada;
  • Alterações espermáticas: algumas alterações genéticas afetam os espermatozoides e podem alterar a sua mobilidade;
  • Alterações da via seminal: diferentes alterações nos testículos, epidídimo, canal deferente ou canal ejaculador pode afetar a motilidade. Aqui, especialmente infecções com presença de leucócitos no fluido seminal;
  • Varicocele: refere-se à presença de varizes nos vasos sanguíneos que irrigam o testículo;
  • Longos períodos sem ejaculação;
  • Defeitos na produção de espermatozoides;
  • Obstruções causadas por uma vasectomia;
  • Substâncias tóxicas: cigarro, álcool ou drogas assim como exposição a fertilizantes ou pesticidas também podem causar danos a motilidade espermática;
  • Tratamentos contra o câncer: rádio e quimioterapia são técnicas agressivas para o esperma.

Como ocorre o diagnóstico de astenozoospermia?

A astenozoospermia em si não apresenta sintomas específicos, porém, algumas manifestações podem estar associadas às possíveis causas da doença. Por exemplo, no caso de astenozoospermia causada por varicocele, é provável que o homem sinta dor no testículo, inchaço ou desconforto na virilha. Por isso, em muitos casos, o homem só procura o médico quando o casal apresenta dificuldades para engravidar.

Nesse sentido, para avaliar uma possível astenozoospermia, um dos primeiros exames solicitados é o espermograma, um teste laboratorial que analisa a qualidade do sêmen. Desta forma, são verificados o volume, viscosidade, liquefação, coloração e pH (acidez) do líquido seminal. 

Além disso, também são analisadas a concentração, vitalidade e a motilidade total e progressiva dos espermatozoides, entre outros estudos. Os achados referentes à motilidade, ou seja, ao movimento dos espermatozoides, são um dos principais indícios de astenozoospermia. 

Veja, na imagem abaixo, os tipos de motilidades avaliados no espermograma:

tipos de motilidade avaliados no espermograma

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a astenozoospermia ocorre quando menos de 32% dos espermatozoides têm mobilidade progressiva, ou quando menos de 40% têm mobilidade total. No entanto, para um diagnóstico preciso é necessário a realização de pelo menos dois espermogramas, com intervalo de 15 dias. 

Além disso, para confirmar o diagnóstico o médico pode solicitar exames hormonais para verificar os níveis de FSH, LH e testosterona, e até mesmo a punção testicular. Utiliza-se tal exame para saber se o problema é na produção do esperma ou no caminho até sua saída do corpo.

Quais são os grupos de espermatozoides?

Para entender melhor os diferentes graus da astenozoospermia, é importante saber que os espermatozoides são divididos em quatro grupos, de acordo com sua capacidade de se mover. Por isso, confira cada um dos graus abaixo:

Tipo A 

São os espermatozoides mais ativos e móveis. Chamados de progressivas, se movem rapidamente em movimento reto e assim são capazes de chegar ao óvulo e fertilizá-lo.

Tipo B 

Os espermatozoides desse grupo também são bastante ágeis, porém, apresentam velocidade ligeiramente inferior aos do grupo A. Como se movimentam em linha direta, também têm condições de alcançar o óvulo possibilitando que a fecundação aconteça.

Tipo C 

Neste grupo encontram-se gametas vivos e móveis, porém, com uma trajetória de movimento irregular. Desta forma, ao invés de se moverem em linha reta, “nadam” na direção oposta, ou em círculo, sem sair do lugar. Por isso, não conseguem alcançar o óvulo impossibilitando a concepção.

Tipo D 

Este grupo compreende os espermatozoides fixos, que por algumas razões não são capazes de se mover, e assim, não têm chances de fertilizar o óvulo. Em alguns casos, os gametas imóveis podem estar mortos.  

Quais são os graus de astenozoospermia?

Sabemos que para ocorrer a fertilização do óvulo é preciso que os espermatozoides sejam morfologicamente normais, não alterados e que sejam progressivos.

Desta forma, de acordo com o nível de alteração na sua motilidade, a astenospermia se manifesta em diferentes graus. Conheça os três graus de astenozoospermia na sequência:

Grau 1

É a forma mais moderada da doença, quando o conteúdo de espermatozoides móveis e progressivos no ejaculado é reduzido para 40%. Nesse sentido, ainda há boas chances de engravidar. É importante, porém, ficar atento ao problema e tentar corrigir as causas da doença para que a falha na atividade dos espermatozoides não progrida.

Grau 2 

Este grau ainda é considerado moderado, porém, o número de gametas móveis e ativos no ejaculado está reduzido em 30-35%. Desta forma, apenas um terço do espermatozoide conseguem alcançar o óvulo, e assim, a probabilidade de concepção diminui bastante. Os homens com astenozoospermia de grau 2 necessitam de tratamento. 

Grau 3

Esta é a forma mais grave da patologia, quando os espermatozoides rápidos e móveis no ejaculado, capazes de fertilização, são inferiores a 30%. Nesse sentido, a gravidez de forma natural se torna muito improvável. Desta forma, será necessária assistência médica para conseguir a fecundação do óvulo.

Astenozoospermia tem tratamento?

O tratamento da astenozoospermia é baseado na cura ou na eliminação do fator desencadeante, portanto, depende das causas e da gravidade da doença. Nesse sentido, a conduta médica pode incluir uso de antibióticos, caso o quadro seja decorrente de uma infecção. Ou, então, cirurgia para corrigir uma varicocele, se esta for a causadora do problema. 

Além disso, mudanças no estilo de vida do homem, com ajustes na alimentação, podem ser suficientes para melhorar a motilidade dos gametas. Desta forma, vale ressaltar que algumas condições são tratáveis ​​com maior facilidade do que outras, o que repercute no grau de sucesso dos tratamentos. 

Quem tem astenozoospermia pode engravidar?

A astenozoospermia pode representar um verdadeiro empecilho na fertilidade masculina e do casal, dificultando que a gravidez aconteça de forma natural. Porém, felizmente, já existem métodos alternativos para promover o encontro do óvulo com o espermatozoide quando a doença não pode ser revertida. Nesse sentido, a Reprodução Assistida encontra diversos caminhos para superar os obstáculos da fecundação. 

Como a Reprodução Assistida pode ajudar quem tem astenozoospermia?

Quando o homem recebe o diagnóstico de astenozoospermia, não deve perder as esperanças de se tornar pai, afinal, a doença não o torna estéril. Desta forma, através de técnicas de Reprodução Assistida é possível juntar óvulo e espermatozoides gerando um embrião, e assim dando início a uma gestação. Um dos tratamentos que tem ajudado muitos homens com astenozoospermia a realizarem o sonho de terem um filho é a Injeção Intra-Citoplasmática de Espermatozoides (ICSI).

O método consiste em injetar um espermatozoide selecionado dentro do óvulo, promovendo a fecundação em laboratório. Nesse sentido, o primeiro passo é a coleta dos gametas do casal. Para isso, a mulher passa por indução da ovulação feita com medicamentos. 

Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é realizada a coleta de óvulo. Já no caso do homem, os espermatozoides são obtidos pela masturbação, ou são retirados diretamente dos testículos, ou do epidídimo através de uma punção ou uma biópsia. Uma vez formado o embrião, ele é implantado no útero da futura mãe. A Reprodução Assistida é uma opção efetiva para ter filhos mesmo com astenozoospermia. Saiba da importância do diagnóstico da Reprodução Assistida baixando o nosso e-book gratuito!

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