De acordo com o Instituto Nacional de Câncer - INCA (2010), a definição de câncer é a proliferação e o crescimento desordenado das células de um tecido ou órgão, que podem migrar para outras partes do corpo. A cada ano, cerca de 650 mil mulheres são diagnosticadas com algum tipo de câncer invasivo, e 8% destas são pacientes em idade reprodutiva.
Devido a esse aumento no número de pacientes mais jovens diagnosticadas com câncer e os avanços no tratamento permitindo quase que totalmente a eliminação da doença, a preocupação com a preservação da fertilidade vem se tornando um assunto cada vez mais comum. Essa preocupação se deve ao fato de que os tratamentos nestas pacientes são tratamentos quimioterápicos agressivos, resultando em implicações tardias, como por exemplo, o comprometimento da função reprodutiva.
O comprometimento da fertilidade em pacientes com câncer pode ter efeitos negativos na qualidade de vida da paciente, principalmente devido à falta de informação. Além disso, parentes de primeiro grau como mãe, irmã ou tia com histórico de câncer de ovário ou câncer de mama é considerado um fator de risco, sendo em alguns casos indicado a realização de um tratamento preventivo.
A preservação da fertilidade é um assunto que deve ser discutido entre a paciente e o médico sempre, de forma que consigam encontrar uma técnica eficaz e segura.
A criopreservação de óvulos é uma
boa opção para pacientes jovens já que
independe de parceiros, ao contrário do
congelamento dos embriões em que são
necessários os dois gametas (óvulo e
espermatozóide). Além disso, pode
oferecer bons resultados e permitir gravidez
futura.
A melhor alternativa para obtenção de um maior número de óvulos para o congelamento seria iniciar a estimulação ovariana algumas semanas antes do tratamento quimioterápico, sendo assim, a paciente passa por estímulo hormonal e posterior retirada dos óvulos, que ao invés de serem injetados serão congelados.
Em alguns casos, existem estratégias para diminuir tanto o período de estímulo ovariano, como também a exposição do tumor aos hormônios utilizados, porém podem resultar em número menor de óvulos.
Uma alternativa seria o uso da técnica de maturação in vitro (IVM) de óvulos, em que estes são extraídos ainda imaturos e cultivados em laboratório até atingirem o amadurecimento ideal, e posteriormente serão congelados.
Vale ressaltar, como dito anteriormente, que cada caso deve ser tratado individualmente, pois existem variações nos tipos de câncer, nos riscos e na idade da paciente. E claro, a primeira consideração para preservação da fertilidade em pacientes jovens é a segurança do procedimento, não podendo interferir no tratamento da paciente com câncer.
É importante saber que, de acordo com o Comitê de Ética da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (2005), os médicos oncologistas devem informar as pacientes com câncer sobre as opções para a preservação da fertilidade antes do início do tratamento.