No passado se pensava que o responsável pela esterilidade era sempre a mulher. Hoje já se sabe que ela é responsável por apenas metade dos casos de casais que não conseguem ter filhos. A outra metade dos casos ocorre por problemas relacionados ao homem. De acordo com o urologista, Caio Schmitt, do Centro de Pesquisa e Reprodução Humana Nilo Frantz, a varicocele é uma doença que atinge aproximadamente 15% da população masculina mundial. "Esse problema causa a dilatação das veias da bolsa escrotal, o que modifica a circulação do sangue nos testículos. Dessa forma, a saúde reprodutiva do homem fica prejudicada, pois interfere na produção de espermatozoides", explica Schmitt.
Estima-se que a varicocele seja responsável por cerca de 40% dos casos de infertilidade. O diagnóstico é feito através de exame físico, realizado por um urologista, mas a ultrassonografia testicular é um exame que pode auxiliar no diagnóstico de alguns casos especiais. Na maioria dos casos não há sintomas, ou seja, o diagnóstico é feito na pesquisa de uma causa de infertilidade masculina, no entanto pode ocorrer atrofia (não crescimento) testicular, dor, sensação de peso e alterações estéticas.
O especialista explica que, a varicocele é uma falência, ou deficiência, das válvulas existentes na veia testicular, que pode ocorrer em um dos lados, mais comumente à esquerda, ou bilateralmente. Quando o sistema de válvulas venosas está em perfeito funcionamento, o sangue passa por estas válvulas, que se fecham para que o mesmo não retorne. Na varicocele não há o correto funcionamento, provocando a má drenagem do sangue e dilatação destas veias.
A consequência desta dilatação das veias é o acúmulo de substâncias nocivas nos testículos, bem como o aumento de sua temperatura, provocando a diminuição na produção de espermatozóides (menor quantidade) e uma alteração na qualidade dos mesmos (motilidade e formas normais). Essas alterações irão afetar diretamente a fertilização dos óvulos.
Tratamento
O tratamento da varicocele é cirúrgico, quando houver indicação. Na cirurgia é realizada a ligadura das veias dilatadas, interrompendo assim o refluxo de sangue aos testículos, encerrando o dano testicular. Nessa cirurgia, utiliza-se um microscópio para a correta identificação das veias, artérias e linfáticos, com o objetivo de ligar somente as veias dilatadas, evitando assim um prejuízo à circulação sanguinea normal dos testículos. "Trata-se de um procedimento complexo, porém realizado sem necessidade de internação hospitalar e requerendo curto período de recuperação e, em poucos dias, o paciente retoma suas atividades normais", conclui o urologista.
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