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Notícias Sobre Reprodução Humana

Investigação e tratamento do aborto de repetição (imunológico)

A imunologia da reprodução humana
Ricardo M. de Oliveira
Os aspectos imunológicos envolvidos na reprodução da espécie humana têm sido cada vez mais estudados nas últimas décadas. A intensidade e a qualidade da resposta do sistema imune materno são fundamentais para determinar o sucesso ou não de uma gestação.
Assim como a imunologia da reprodução não é totalmente conhecida, seus desvios tampouco o são, sendo este tipo de diagnóstico um grande desafio neste campo. Sabemos, entretanto, que muitos casos anteriormente classificados como infertilidade sem causa aparente pode, na verdade, serem decorrentes de alterações imunológicas até então desconhecidas.
Um estudo por nós realizado mostrou que 84% das pacientes com falhas de implantação em ciclos de FIV e 98% daquelas com abortamentos de repetição apresentaram algum tipo de problema imunológico. A prevalência de alterações nestes dois grupos é notável, não sendo prudente, considerá-las como simples coincidência.
Juntamente com todos os dados já disponíveis em literatura, nossos resultados apenas reforçam a importância do sistema imune no processo da reprodução humana. A falha da resposta materna ao enxerto alógeno, bem como a produção de auto-anticorpos, pode resultar em perdas de repetição e/ou falhas de implantação. Felizmente, estes problemas são hoje identificáveis e responsivos ao tratamento.
Os protocolos de tratamento incluem diversas modalidades, algumas das quais citaremos a seguir:
    - Aloimunização com linfócitos paternos
    - Imunoglobulina endovenosa
    - Heparina de baixo peso molecular
    - Aspirina
    - Corticosteróide
Como podemos ver a infertilidade de causa imunológica é um processo, nos dias de hoje, passível de tratamento e casais que queiram ter um filho devem obter uma correta avaliação e tratamento.
IMUNIZAÇÃO COM LINFÓCITOS PATERNOS
O feto é considerado para o organismo materno como um “semi-Transplante”, devido à metade da carga genética ser oriunda do pai.
Sabe-se que os genes HLA (Antígeno Leucocitário Humano) desempenham um papel importante no mecanismo de rejeição a tecidos transplantados, de forma que é razoável concluir que também o são na modulação e indução da tolerância materna durante a gestação.
O reconhecimento materno de antígenos fetais de origem paterna não apenas ocorre durante a gestação normal, mas pode ser benéfica. Evidências clínicas a favor da vantagem da diferença antigênica entre mãe e feto incluem as altas taxas de gestações em úteros de aluguel, envolvendo a transferência de embriões alogeneticamente diferentes tanto em relação aos antígenos paternos quanto maternos.
A visualização de células estranhas ao organismo pelo sistema imunológico ocorre devido à expressão de moléculas MHC (Complexo Maior de Histocompatibilidade) na superfície celular.
Os linfócitos B maternos são os responsáveis pela produção dos anticorpos anti-linfócitos paternos (APLA) quando a mulher engravida, sendo que estes anticorpos teriam o objetivo de proteger o feto do ataque imunológico pelas células NK (Natural Killer) maternas.
Mulheres multíparas em geral apresentam altos níveis de APLA na circulação até mesmo fora do período gravídico, enquanto que as que apresentam abortamentos de repetição apresentam níveis baixos ou indetectáveis.

O tratamento desta modalidade de infertilidade envolve a imunização materna com concentrado de linfócitos paternos, de forma que o sinal seja amplificado cerca de 10.000 vezes quando comparado ao nível normalmente encontrado na gestação inicial. A ILP consiste de duas vacinas que são aplicadas com intervalo de três semanas, sendo que 3 semanas após a 2ª dose o nível de APLA é novamente analisado, utilizando a técnica de Citometria de Fluxo Quantitativa. É importante frisar que esta modalidade terapêutica apresenta riscos possíveis de transmissão de doenças infecto-contagiosas, o que torna obrigatório um perfil sorológico prévio paterno, incluindo sorologias para HIV, Hepatites B e C, HTLV, Sífilis e doença de Chagas. 

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