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Dúvidas Frequentes
Tenho Endometriose! Poderei engravidar naturalmente?
Endometriose é a existência de células endometriais em outros locais do corpo da mulher que não no local apropriado (revestindo internamente o útero). Todo o mês, o aparelho reprodutor feminino se prepara para uma possível gestação. Não ocorrendo a fecundação, esta camada constituida por células endometriais (denominada de endométrio) desprende-se do útero e dá origem ao sangramento menstrual. O organismo feminino então, sabiamente, se prepara mensalmente para receber uma gestação com uma nova camada de células. A mesma não sendo aproveitada, acaba sendo desprezada. Apesar de ser uma patologia muito freqüente e, consequentemente, muito estudada, diversas dúvidas ainda restam a serem esclarecidas sobre a Endometriose. Até hoje ainda não se sabe claramente, por exemplo, qual a origem desta alteração. Um dos principais problemas da Endometriose é a sua sintomatologia variável, verificando-se desde casos completamente assintomáticos (forma silenciosa) até os quadros de dor muito intensa. Comumente esta patologia tem como 1ª e única manifestação a Infertilidade, ou seja, a mulher acaba descobrindo que é portadora de endometriose através da busca pelo fator que está impedindo que uma gestação ocorra. Estima-se que grande parcela das mulheres inférteis tenham endometriose, uma vez que a mesma pode aumentar em até 20 vezes o risco de ocorrer a Infertilidade. Embora seja possível engravidar apresentando esta patologia, principalmente no acometimento por graus leves, recomenda-se o aconselhamento por parte do Ginecologista ou de um Serviço Especializado na área de Reprodução Humana para auxiliar no planejamento do futuro reprodutivo da mulher, mesmo que esta não deseje ter filhos a curto prazo.
Sou sadio, sempre me cuidei. Por que logo comigo?
A Infertilidade é uma alteração silenciosa, ou seja, que muitas vezes não causa nenhum tipo de desconforto ou dor. Várias das causas de Infertilidade Conjugal, como a endometriose, as obstruções tubárias por inflamação/infecção e a baixa concentração de espermatozóides, por exemplo, permanecem sem se manifestarem clinicamente e, portanto, sem serem descobertas, por anos. Porém, no momento em que o casal tenta engravidar, a Infertilidade frequentemente é a primeira demonstração que o aparelho reprodutor não está bem, apresentando algum tipo de comprometimento estrutural (anatomia alterada) ou funcional (desempenho prejudicado). A maioria dos casais só descobre que, pelo menos um dos cônjuges, tem alteração no momento em que não estão conseguindo engravidar. Isto é mais comum do que se imagina. Sabe-se que 10 a 15% dos casais em idade reprodutiva são acometidos por problemas relacionados à Infertilidade.
É possível ter filhos após a ligadura das trompas ou a vasectomia?
Sim. Embora considerados métodos anticoncepcionais definitivos e altamente eficazes, existem opções terapêuticas capazes de permitir que um casal em que um, ou até mesmo, os dois cônjuges tenham feito a ligadura das trompas (ou laqueadura tubária) e/ou a vasectomia engravide. Dependendo da idade da mulher ou do tempo transcorrido após a vasectomia, é possível ter um prognóstico otimista quanto as chances de gestação. Portanto, através do adequado apoio médico, pode um casal reverter uma expectativa negativa quanto a probabilidade de ter seu(s) filho(s).
Quais são os exames necessários?
A investigação dos casais que encontram dificuldade para engravidar se baseia em uma série de exames complementares. Ao longo dos últimos anos, alguns destes foram tornando-se obsoletos ou aplicáveis em raras situações. Outros se mantém como importantes ferramentas para auxiliar no diagnóstico e no tratamento dos casais inférteis. Poucas especialidades médicas porém, tiveram um avanço tão grande dos seus métodos diagnósticos quanto a Reprodução Humana.Entre os exames mais frequentemente utilizados, podemos citar: a ultra-sonografia transvaginal (ou ecografia transvaginal), as dosagens hormonais, a histerossalpingografia (HSG), o teste pós-coital (TPC) e as endoscopias (vídeolaparoscopia e histeroscopia) para as mulheres. Na investigação do fator masculino temos como exames mais solicitados o espermocitograma (ou espermograma), a ultra-sonografia testicular (ou da bolsa escrotal) e o índice de fragmentação do DNA espermático. Uma das maiores evoluções verificadas foi no campo da Imunologia da Reprodução. Sabe-se hoje que muitos casais não conseguem ter seus filhos, seja por métodos naturais, seja pelas diferentes técnicas de Reprodução Assistida, devido à rejeição de gestações iniciais, muitas vezes ocorrida antes mesmo do diagnóstico clínico de gravidez. Através da investigação imunológica, podemos detectar e tratar casais que têm seu embrião reconhecido como um corpo estranho, como se fora um microorganismo agressor ou um órgão transplantado passível de rejeição.
A partir de que idade diminui a fertilidade?
Há muito se sabe que a fertilidade decresce com o avançar da idade. O aparelho reprodutor feminino atinge o seu ápice de desempenho entre os 18 e 35 anos. Os óvulos de uma mulher são formados ao longo da sua vida intra-uterina. Com 5 meses de gestação, o bebê do sexo feminino tem de 6 a 7 milhões de óvulos. Ao nascimento, são aproximadamente 1 a 2 milhões e na puberdade, quando iniciam as ovulações, somente 300 a 400 mil óvulos estão a disposição. Como nenhum novo óvulo é formado ao longo da vida e ocorre uma perda contínua, verifica-se uma queda significativa na quantidade e na qualidade dos óvulos após os 35 anos, e acentuada após os 40 anos. Os homens também são afetados pela queda da fertilidade com o progredir da idade, contrariando o que muitos pensam. É importante salientar que masculinidade, virilidade, desejo e potência sexual não estão relacionados diretamente com a capacidade reprodutiva de um homem. Portanto, homens jovens com elevados níveis de testosterona (hormônio sexual masculino) e homens com maior idade que mantém um ótimo desempenho sexual podem ter alterações na quantidade ou na qualidade dos seus espermatozóides. Pesquisas recentes demonstraram que a capacidade reprodutiva dos homens também diminui com a idade, sendo afetada porém mais tardiamente (após os 40 anos) e em menor intensidade que a mulher.
Quais são as causas mais frequentes de Infertilidade Conjugal?
Aproximadamente 30% dos casos de Infertilidade Conjugal são devido a algum tipo de alteração presente somente na mulher. Outros 30% são devidos a alterações encontradas exclusivamente na fertilidade do homem. Quarenta por cento dos casos são devidos a alterações na fertilidade de ambos os cônjuges. Em 10% dos casos ainda não é possível identificar o fator que está causando a dificuldade para o casal engravidar, condição esta denominada de Esterilidade sem causa aparente (ESCA).Na mulher, as alterações mais frequentemente encontradas são: alterações da ovulação (como as encontradas nos casos de ovários micropolicísticos), endometriose e as obstruções tubárias (parciais ou completas). Uma situação cada vez mais frequente é a diminuição da reserva ovariana (queda na quantidade e na qualidade dos óvulos), ocorrida fisiologicamente com o passar da idade. São os casos das mulheres que estão cada vez mais postergando sua gestação para privilegiar o lado profissional e/ou acadêmico. No homem, as alterações mais comumente verificadas são na quantidade, na forma ou na capacidade dos espermatozóides se movimentarem. Com o surgimento da avaliação do DNA dos espermatozóides, foi possível verificar que este tipo de alteração também é frequente. É crescente o número de casos em que ocorre novamente o desejo de ter filhos após uma cirurgia de Vasectomia, havendo para estes casos muitas vezes solução. Com o avanço dos estudos no campo da Reprodução Humana, faz-se possível cada vez identificar o motivo pelo qual uma gestação não ocorre espontaneamente. Acredita-se que com o surgimento de novos métodos diagnósticos, como por exemplo a investigação do "Fator Imunológico", do Índice de Fragmentação do DNA Espermático e da avaliação do HLA-G solúvel, o clássico índice de 10% para os casos de ESCA, hoje em dia seja bem menor.
Homens também podem ser Inférteis?
A Infertilidade não é um "problema de mulher" como muitos equivocadamente imaginam. Pelo menos a metade dos casais que buscam auxílio nas Clínicas de Reprodução Assistida, têm o envolvimento de alguma alteração masculina a causar a Infertilidade, motivo pelo qual, denomina-se tecnicamente esta condição de "Infertilidade Conjugal". Por milênios, a mulher carrega sobre seus ombros, muitas vezes silenciosamente, o fardo de não conseguir engravidar. Historicamente, temos em mente que é a mulher quem engravida, a mulher quem dá a luz e, consequentemente, é a mulher quem tem dificuldades para engravidar. É importante esclarecer que, através do desenvolvimento desta nova especialidade denominada Reprodução Humana, inúmeras pesquisas comprovaram que alterações masculinas frequentemente estão envolvidas. Deve-se alertar que a cobrança exercida pela família, pelo marido e pela própria mulher, muitas vezes é exagerada, equivocada e, porque não dizer, injusta. Por estes motivos, frequentemente a consulta com o especialista em Reprodução Humana ou, pelo menos a primeira consulta, é feita com a presença dos 2 cônjuges.
Mas afinal o que é Infertilidade?
Infertilidade é a condição na qual um casal não consegue engravidar após 1 ano mantendo relações sexuais sem anticoncepção. No entanto, mulheres com idade entre 30 e 40 anos devem começar a investigação após 1 ano sem conseguir engravidar e com mais de 40 anos, após 6 meses. Trata-se de uma alteração muito frequente, acometendo 10 a 15% dos casais em idade reprodutiva.
Por não comprometer diretamente a integridade física, não causar dor e não ameaçar a vida, muitas pessoas e, até mesmo, alguns profissionais da saúde, não a encaram e tratam com a devida atenção. No entanto, esta condição tem grande repercussão na vida das pessoas, produzindo enorme frustração, causando impacto negativo na vida do casal, debilitando a personalidade e até a auto-estima. Muitos casais, por não buscarem orientação e auxílio médico, acabam por ter sua relação deteriorada, resultando até mesmo no rompimento de longos relacionamentos.
Disseram que é difícil engravidar com Ovários Policísticos. É verdade?
Os ovários com padrão "policístico" (micropolicístico ou micropolicístico) estão presentes em aproximadamente 10% das mulheres em vida reprodutiva (período compreendido entre a 1ª menstruação e a menopausa). Muitas destas, ovulam regularmente e podem engravidar até com grande facilidade. Existe porém, parcela significativa de mulheres com Ovários Policísticos que não ovulam ("anovuladoras") e, por conseguinte, são inférteis. É frequente também ocorrerem casos de ovulação muito esporádica, ou seja, mulheres que ovulam pouquíssimas vezes ao longo de um ano, apresentando ciclos irregulares e, consequentemente, com baixa probabilidade de engravidar espontaneamente ("subférteis").
Portanto, as reais chances de uma mulher portadora de Ovários Policísticos engravidar somente poderá ser fornecida após cuidadoso enquadramento em um dos grupos anteriormente citados, prognóstico este, somente feito adequadamente pelo Ginecologista ou pelo Especialista em Reprodução Humana. Cabe ao profissional da área diagnosticar e, quando necessário, tratar individualmente cada caso.
Congelamento de óvulos: preservando a fertilidade
Cresce no Brasil a procura pelo "congelamento de óvulos". A técnica, inicialmente desenvolvida para pacientes com indicação de retirada dos ovários, quimio ou radioterapia, recentemente tornou-se uma alternativa para a mulher na faixa dos 30 anos tentar driblar o relógio biológico, preservar a fertilidade e adiar a sua gravidez.
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